Crédito privado sofre com juros altos e lei falimentar
Crédito privado sofre com juros altos e lei falimentar enfrenta hoje dois grandes entraves, segundo o sócio da Vinland Capital, Jean-Pierre Cote Gil: o prêmio cada vez mais atraente dos títulos públicos e uma legislação de falências que, mesmo revisada, ainda favorece o devedor.
Crédito privado sofre com juros altos e lei falimentar
Durante o painel de renda fixa do 12º Fórum de Investimentos no Brasil, promovido pelo Bradesco BBI, Cote Gil afirmou que a recuperação judicial e extrajudicial tornou-se “corriqueira”. Para o gestor, a Lei de Falências, ainda considerada complacente, permite que empresas endividadas transfiram parte da conta aos credores, reduzindo o apetite dos investidores.
O ambiente torna-se ainda mais desafiador quando se compara o spread — diferença entre as taxas pagas pelos papéis corporativos e as do Tesouro. Com a Selic em patamar elevado, os títulos públicos oferecem retorno imediato e praticamente sem risco, o que “capture” o investidor conservador típico do país, afirmou o executivo.
Segundo dados do Banco Central, a curva de juros mantém-se pressionada, reforçando a vantagem relativa dos papéis soberanos. Nesse cenário, gestores se veem “de mãos atadas”: spreads encolhidos dificultam montar carteiras que conciliem rentabilidade e risco adequado.
Resgates e oportunidades
De janeiro para cá, os fundos de crédito privado passaram a registrar retornos negativos, revertendo o desempenho exuberante de 2025. A combinação de preços em queda e taxas maiores acendeu o sinal amarelo nos cotistas, que já iniciaram pedidos de resgate — ainda modestos, mas com tendência de alta, alerta Cote Gil.
Para Alexandre Muller, sócio da JGP, o momento de estresse abre espaço para barganhas: “Com as correções, os prêmios de risco melhoram. Depois de um pico de desconfiança, a confiança volta e os padrões se normalizam”. O timing, porém, dependerá de dois gatilhos, conclui Cote Gil: reforma da Lei de Falências em favor do credor e menor competição do governo no mercado de financiamento.

Imagem: Seu Dinheiro
No curto prazo, gestores adotam postura pedagógica, explicando a clientes que oscilações são parte do ciclo. “Perder dói mais que ganhar alegra”, resume o sócio da Vinland ao comentar o perfil conservador do investidor brasileiro.
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Crédito da imagem: Mojo_cp/Canva Pro















