Contos  de mentira

Contos de mentira

Não se cuida em falar dos meus heróis de fundo de quintal. Cuida-se de alguma coisa impermeável, perecível e muito triste. Ainda nos veremos um dia? Escritos de Tchekhov. Lançada e fomentada a ideia de que os livros não são mais necessários. Músicas, poemas, se valem de rimas pobres, paupérrimas. O gato se escondeu e morreu, simples assim. As emoções não se encontram mais. A poesia pela poesia cedeu seu lugar ao horário político e etc. Ainda existem encontros, cuja motivação é não sentir o frescor do amor pelo amor, do sentimento pelo sentimento. Massas agitadas pelo consumismo de um capitalismo selvagem, não cantam, gritam frases desconexas. O estudante de outrora se encontra deposto ou mais que morto. Ásperos são os caminhos de quem ousa pensar. Um copo de aguardente é lenitivo do velho. Aquela poesia que sorria pra gente todo dia viajou. Nestes tempos de pandemia ocorreu a extinção da “quadrilha” que vivia pela beleza das letras, mesmo que fossem frias e calculistas. Não resta mais nenhuma lembrança do nosso quintal repleto de árvores e sonhos.

Sílvio Lopes de Almeida Neto

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