Consulado chinês em Vancouver tentou barrar Shen Yun
Consulado chinês em Vancouver tentou barrar Shen Yun logo após diplomatas solicitarem, em abril, que uma funcionária da divisão de teatros da prefeitura cancelasse o espetáculo que denuncia a repressão do Partido Comunista, segundo fontes ouvidas pela imprensa canadense.
Consulado chinês em Vancouver tentou barrar Shen Yun
Representantes do consulado da China reuniram-se no início de abril com uma colaboradora do Vancouver Civic Theatres (VCT), órgão responsável por espaços culturais da cidade. De acordo com as fontes, o pedido foi direto: impedir que as apresentações do grupo de dança Shen Yun, marcadas para 8 a 12 de abril no Queen Elizabeth Theatre, fossem realizadas.
A administração municipal confirmou o encontro, mas afirmou que conversar com consulados para “troca de informações” é prática de rotina e que o VCT “não censura nem limita a liberdade de expressão legal em seus palcos”. A prefeitura não detalhou o teor das pressões exercidas.
Embora não tenha conseguido o cancelamento, o espetáculo enfrentou duas ameaças de bomba por e-mail, atribuídas a um endereço ligado a um número telefônico na China. A polícia local avaliou as mensagens como trote, fez varredura com cães farejadores e manteve a programação. Em Toronto, porém, uma ameaça semelhante em março levou ao esvaziamento do Four Seasons Centre e ao adiamento das sessões.
Segundo investigação da Global News, o caso revela uma estratégia constante de Pequim para tentar silenciar críticas no exterior. Diretrizes do Ministério da Segurança Pública do Canadá classificam como interferência estrangeira qualquer tentativa clandestina, enganosa ou coercitiva de influenciar decisões governamentais, exatamente o que ex-autoridades locais enxergam na iniciativa do consulado.
O grupo Shen Yun, sediado em Nova York, divulga tradições chinesas “antes do comunismo” e está associado a praticantes do Falun Gong, movimento proibido na China. Documentos apresentados em inquéritos de Ottawa relatam que diplomatas chineses, há mais de uma década, pressionam patrocinadores, difundem notas contra o espetáculo e ameaçam impacto econômico a quem o apoia.
A ex-prefeita Kennedy Stewart, hoje professora da Universidade Simon Fraser, qualificou a investida como “alarmante” por mirar diretamente o funcionalismo público. Ela defende que o governo federal investigue o episódio e, se houver reincidência, reveja o funcionamento do consulado na cidade.

Imagem: Internet
Relatório recente do Serviço Canadense de Inteligência de Segurança apontou China, Índia, Rússia, Irã e Paquistão como os principais agentes de interferência no país. Para ativistas, a busca do governo canadense por reaproximação diplomática com Pequim pode ter encorajado novas ações.
Apesar das pressões, o Shen Yun cumpriu a temporada completa em Vancouver e anunciou novas datas em Toronto para 24 a 28 de junho. Organizações ligadas ao espetáculo afirmam que continuarão levando a apresentação ao público, “independentemente das tentativas de intimidação”.
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Crédito da imagem: Evan Agostini/Invision/AP















