Cometa 3I/ATLAS pode ter rota alterada por Júpiter
Cometa 3I/ATLAS pode ter rota alterada por Júpiter é o alerta de astrônomos que modelaram o passado e o futuro do terceiro visitante interestelar já detectado. Simulações indicam que, ao se aproximar do gigante gasoso em março de 2026, o objeto poderá sofrer um leve desvio antes de sair definitivamente do Sistema Solar.
Cometa 3I/ATLAS pode ter rota alterada por Júpiter
Detectado em julho pelo sistema ATLAS, o cometa 3I/ATLAS chamou atenção ao cruzar a vizinhança solar a 58 km/s, velocidade típica de corpos oriundos de fora da Via Láctea próxima. Tratado inicialmente como curiosidade, ele tornou-se peça-chave para entender ambientes formados nas primeiras eras galácticas.
Em estudo hospedado no repositório científico arXiv, Goldy Ahuja, do Laboratório de Pesquisas Físicas de Ahmedabad, e Shashikiran Ganesh, do Instituto Indiano de Tecnologia de Gandhinagar, analisaram 500 cenários orbitais. O objetivo foi reconstruir a jornada bilionária do cometa e prever seu rumo após a despedida do Sol.
As simulações sugerem que o 3I/ATLAS penetrou no Sistema Solar vindo da direção da constelação de Sagitário e deverá partir rumo a Gêmeos. Embora a origem exata permaneça desconhecida, muitos indícios apontam para o disco espesso da Via Láctea, região povoada por estrelas antigas. O astrofísico Chris Lintott, da Universidade de Oxford, reforça que o padrão de subida e descida do objeto em relação ao plano galáctico combina com corpos expulsos de sistemas planetários primordiais.
Antes de se despedir, o cometa terá dois encontros relevantes: um breve alinhamento gravitacional com Marte e, principalmente, a passagem pelo raio de Hill de Júpiter em 16 de março de 2026. Devido à massa do planeta, mesmo uma aproximação nos limites dessa “bolha” pode curvar a trajetória do visitante estelar.
Fatores não gravitacionais, como jatos de gás liberados pela sublimação de gelo e a pressão da radiação solar, também foram testados. A equipe concluiu que pequenas acelerações não alterariam o curso, mas desgaseificações mais intensas poderiam modificar o destino final. Por isso, novas observações telescópicas são consideradas vitais.

Imagem: Michael Jaeger via Spaceweather.com
A janela considerada ideal para a comunidade científica monitorar o corpo ocorrerá entre 9 e 22 de março de 2026, quando a sonda Juno estará bem posicionada entre o cometa e Júpiter. Segundo a NASA, a espaçonave mantida em órbita joviana poderá fornecer dados de alta precisão sobre o campo gravitacional do planeta e seu efeito no 3I/ATLAS.
No momento, pesquisadores conduzem análises adicionais para estimar se o encontro com Júpiter poderá modificar a distância mínima do cometa em relação à Terra. Até aqui, não há sinal de risco de impacto, mas a oportunidade de estudar um visitante interestelar tão de perto é considerada única.
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Crédito da imagem: Michael Jaeger via Spaceweather.com















