Comércio com a China tem apoio de 54% dos canadenses
Comércio com a China conta agora com aprovação de 54 % dos canadenses, de acordo com um levantamento da Ipsos exclusivo para a Global News. O resultado indica uma inversão em relação a 2020, quando 80 % preferiam reduzir a dependência de Pequim, no auge das tensões diplomáticas.
Comércio com a China tem apoio de 54% dos canadenses
Realizada entre 5 e 11 de dezembro de 2025, a pesquisa ouviu 2.001 adultos e apresenta margem de credibilidade de ±2,7 pontos percentuais. O diretor-executivo da Ipsos Public Affairs, Darrell Bricker, explica que a mudança não reflete “um súbito encanto” pela China, mas, sim, a preocupação com alternativas ao mercado norte-americano em meio às disputas tarifárias dos Estados Unidos.
No momento em que os dados se tornam públicos, o primeiro-ministro Mark Carney prepara uma visita de cinco dias à China, a partir de terça-feira, a primeira de um premiê canadense desde 2017. Carney deve reunir-se com o presidente Xi Jinping para discutir a retomada do diálogo econômico, tema sensível desde a prisão dos canadenses Michael Kovrig e Michael Spavor em 2018, episódio encerrado apenas em 2021.
As barreiras tarifárias continuam a pesar sobre a relação bilateral. Ottawa aplica tarifa de 100 % a veículos elétricos chineses e de 25 % a aço e alumínio. Pequim reagiu com imposto de 100 % a produtos agrícolas canadenses, como canola e ervilha, além de 25 % sobre carne suína e frutos do mar. A embaixada chinesa sinaliza retirar as sobretaxas se o Canadá suspender a medida contra os veículos elétricos.
Segundo o levantamento, 71 % dos entrevistados consideram “muito” ou “criticamente” importante que futuros acordos tragam benefícios diretos ao bolso dos canadenses; apenas 60 % colocam direitos humanos na mesma categoria de prioridade. Ainda assim, especialistas como Margaret McCuaig-Johnston, da Universidade de Ottawa, alertam para a necessidade de salvaguardas em temas de segurança nacional e tecnologia avançada.

Imagem: Sean Boynt Global Ne
O estudo mostra ainda que 25 % defendem acordos exclusivamente com países que compartilham valores democráticos, mesmo que isso limite o crescimento econômico. Já 18 % aceitariam parcerias pragmáticas, ignorando pautas de direitos humanos caso haja ganhos mútuos.
Para mais análises sobre relações internacionais, visite a nossa editoria Brasil e acompanhe as atualizações.
Crédito da imagem: Global News















