Citi reduz aposta no real após tensão no Oriente Médio
Citi reduz aposta no real após tensão no Oriente Médio ao rebaixar sua recomendação para a moeda brasileira de “overweight” (comprada) para neutra, citando o aumento das incertezas geopolíticas e da volatilidade nos mercados emergentes.
Escalada de riscos pressiona moedas emergentes
No sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos que resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e no fechamento temporário do Estreito de Ormuz. A passagem concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo e, segundo o Citi, a interrupção impulsionou o preço do barril em mais de 15% em apenas dois pregões.
Esse choque, aponta o banco, gerou forte aversão a risco e afetou principalmente divisas de mercados emergentes, como o real. Nos últimos dois dias de negociação, a moeda brasileira recuou 2,8% ante o dólar, embora ainda some valorização de 3,8% no ano.
Posicionamento do Citi e vulnerabilidade do real
O relatório lembra que, no primeiro trimestre, investidores elevaram substancialmente as posições compradas em real, motivados pelo carry trade atrativo e por termos de troca favoráveis. Esse acúmulo, contudo, tornou a divisa mais sensível ao ambiente de maior risco.
Apesar da recomendação neutra, o Citi mantém exposição comprada a real, peso mexicano e lira turca contra dólar canadense, franco suíço e baht tailandês, buscando capturar o rendimento superior dos pares emergentes.
IPCA-15 pode frear ritmo de corte da Selic
Os analistas também destacam que a alta de 0,84% no IPCA-15 de fevereiro, bem acima das projeções (0,56%), reforça a possibilidade de o Banco Central reduzir a Selic com cautela. O banco projeta corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária marcada para 17 e 18 de março. Atualmente, a taxa básica está em 15% ao ano.

Imagem: Liliane de Lima
Para mais detalhes sobre a movimentação do petróleo e seus impactos, confira a cobertura da agência Reuters.
Quer entender como outras decisões econômicas podem afetar o câmbio? Visite nossa editoria de Brasil e acompanhe as análises.
Crédito da imagem: iStock/IltonRogerio















