Chips H200 da Nvidia liberados podem não atrair China
Chips H200 da Nvidia voltaram a ser autorizados pelo governo dos Estados Unidos para venda a clientes chineses aprovados, mas autoridades em Pequim avaliam impor restrições próprias ou até ignorar a oferta, mantendo a estratégia de independência tecnológica.
Chips H200 da Nvidia liberados podem não atrair China
A decisão anunciada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump encerra a proibição que impedia a big tech de exportar seu processador de inteligência artificial mais avançado ao mercado chinês. Pelo acordo, um quarto da receita das vendas ficará com o Tesouro dos EUA, e o Departamento de Comércio ajusta os últimos detalhes.
Mesmo com a porta aberta, o interesse chinês é incerto. Fontes ligadas ao governo de Xi Jinping discutem conceder acesso limitado ao H200, reforçando o plano nacional de reduzir a dependência de semicondutores estrangeiros. A estratégia inclui investimentos maciços em pesquisa e produção própria de chips para IA.
Analistas consultados pela Reuters enxergam risco estratégico em confiar nos produtos da Nvidia, pois futuras mudanças na política de Washington podem interromper o fornecimento. O próprio CEO da companhia, Jensen Huang, reconheceu que, em 2025, chips da Huawei já se aproximam do desempenho do H200.
Atualmente, o Ascend 910C, componente doméstico mais potente, entrega 12.032 Tera-Operations por segundo (TPP) ante 15.840 TPP do H200, além de largura de banda inferior. Modelos como Cambricon Siyuan 590 e Hygon BW1000 ficam mais distantes, mas já ultrapassam o H20, versão limitada criada pela Nvidia para atender às antigas sanções.
A migração completa, entretanto, não é simples. O trunfo da Nvidia reside na plataforma de software CUDA, que domina o treinamento de modelos de IA. Adotar chips nacionais exigiria reescrever códigos, adaptar frameworks e reorganizar fluxos de trabalho, operação considerada custosa e arriscada por gigantes como Alibaba, Tencent e Baidu. Essas empresas ainda combinam estoques antigos de GPUs americanas com semicondutores locais para sustentar seus sistemas.

Imagem: Nor Gal
A Huawei pretende reduzir essa distância a partir de 2026, com os Ascend 950PR e 950DT, ganhar terreno em 2027 com o Ascend 960 e, em 2028, disputar diretamente com a Nvidia via Ascend 970. Enquanto isso, a própria Nvidia avança na geração Blackwell, prometendo desempenho até dez vezes maior em alguns cenários.
Na prática, caso algumas companhias chinesas comprem lotes do H200, o objetivo estratégico de autossuficiência continuará em vigor. Pequim sinaliza que prefere controlar rigorosamente qualquer dependência crítica de tecnologia norte-americana, mantendo a disputa por domínio na inteligência artificial.
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Crédito da imagem: Nor Gal/Shutterstock















