Charles Kushner é convocado por Paris após carta a Macron
Charles Kushner é convocado por Paris após carta a Macron, fato que expõe novo atrito diplomático entre França e Estados Unidos. O Ministério para a Europa e Assuntos Exteriores francês chamou o embaixador norte-americano para prestar esclarecimentos nesta segunda-feira (10) depois de ele acusar o país de insuficiente combate ao antissemitismo.
Charles Kushner é convocado por Paris após carta a Macron
No domingo à noite, Kushner enviou carta ao presidente Emmanuel Macron afirmando que declarações críticas a Israel e gestos em direção ao reconhecimento de um Estado palestino “encorajam extremistas, alimentam a violência e colocam em risco a comunidade judaica” na França. Ele pediu aplicação irrestrita das leis contra crimes de ódio, proteção reforçada a escolas e sinagogas e rejeição a qualquer aproximação com o Hamas.
Em nota oficial, a chancelaria francesa classificou as acusações como “inaceitáveis” e disse que elas violam a prática diplomática de não interferência nos assuntos internos. A convocação é um gesto raro que sinaliza descontentamento formal com o representante dos Estados Unidos.
A tensão ocorre em meio a divergências bilaterais sobre tarifas comerciais, manutenção de tropas de paz da ONU no Líbano e estratégias de apoio à Ucrânia. Apesar dessas fricções, Macron e o ex-presidente Donald Trump exibiram aproximação na semana passada em Washington.
A administração Biden, por meio do porta-voz do Departamento de Estado Tommy Pigott, declarou “total apoio” às declarações de Kushner. A Casa Branca não se manifestou até o momento.
Kushner, de 69 anos, é pai de Jared Kushner, genro de Trump. Empresário do setor imobiliário e filho de sobreviventes do Holocausto, foi indicado ao posto em novembro e confirmado pelo Senado em maio por 51 votos a 45. Ele assume a embaixada após ter recebido perdão presidencial de Trump em 2020 por condenações de 2005 por evasão fiscal e manipulação de testemunhas.
Imagem: Meg Kinnard The Associate
Com cerca de 500 mil judeus, a França abriga a maior comunidade judaica da Europa. Macron rejeitou recentemente alegações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de que a intenção francesa de reconhecer o Estado palestino alimentaria o antissemitismo.
Segundo analistas, a convocação de Kushner marca o ponto mais alto de um embate que deve testar a relação franco-americana nos próximos meses, sobretudo diante da sensível pauta do Oriente Médio. Reportagem da agência Reuters ressalta que Paris busca reafirmar sua autonomia diplomática em meio à pressão de aliados.
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Crédito da imagem: Global News















