Celso Sabino deixa Ministério do Turismo após pressão
Celso Sabino deixa Ministério do Turismo depois de informar, nesta sexta-feira (19), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que entregará a carta de demissão na próxima quinta-feira (25). O comunicado ocorre um dia após o União Brasil impor prazo de 24 horas para que filiados desocupem cargos na Esplanada, sob pena de expulsão.
Celso Sabino deixa Ministério do Turismo
Em reunião de cerca de 1h30 no Palácio da Alvorada, Sabino explicou que permanece no cargo até o retorno de Lula de Nova York, onde o presidente participa da Assembleia Geral da ONU. Até lá, seguirá agenda pré-marcada, incluindo compromissos com a Embratur e o Sebrae.
O ultimato do partido acelerou a decisão. Circular interna divulgada na quinta-feira (18) prevê abertura de processos disciplinares a filiados que resistirem à determinação. Inicialmente, a legenda pretendia manter seus quadros no governo até o fim de setembro, mas adotou ruptura imediata.
À frente do ministério desde julho de 2023, o ex-deputado federal priorizou a retomada do setor pós-pandemia, reforçando parcerias com estados, municípios e iniciativa privada. Entre os destaques estão o apoio à organização da COP30, em Belém, e a articulação para modernizar o ambiente regulatório, como a definição do tempo de limpeza de quartos de hotel.
Sob sua gestão, o Brasil alcançou resultado recorde: até 14 de setembro, 6.807.707 visitantes estrangeiros entraram no país, equivalente a 98,5% da meta anual de 6,9 milhões prevista no Plano Nacional de Turismo 2024-2027. O desempenho é atribuído ao aumento da conectividade aérea e à presença do Brasil em grandes feiras internacionais.
Em janeiro, Sabino assumiu a presidência do Conselho Executivo da ONU Turismo, tornando-se o primeiro brasileiro no posto desde 1975. A posição reforçou a visibilidade do país em ano marcado pela presidência rotativa do Brics e pelos preparativos para a COP30. Segundo a BBC, a participação do Brasil em fóruns globais eleva a projeção de investimentos no setor.
Imagem: Roberto Catro
Formado em Direito e Administração, Sabino exerceu três mandatos como deputado federal pelo Pará e ganhou notoriedade em 2021 ao relatar a reforma do Imposto de Renda. Ele também é autor da PEC 3/2021, que altera regras de imunidade parlamentar e aguarda votação no Senado.
Com perfil conciliador, o ministro deixa a pasta após 14 meses marcados pelo diálogo entre poder público e trade turístico, defendendo o turismo como eixo de desenvolvimento econômico, cultural e sustentável.
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Crédito da imagem: Roberto Catro/MTur















