Causas do autismo: ciência ainda sem consenso
Causas do autismo permanecem um enigma mesmo após décadas de pesquisas, deixando espaço para teorias infundadas que preocupam famílias em todo o mundo.
Falta de explicação definitiva incentiva mitos
Até hoje, apenas 20% a 25% dos casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) são atribuídos a mutações genéticas raras. Na maioria das situações, cientistas trabalham com um modelo multifatorial que combina predisposição genética e fatores ambientais, mas sem uma relação causal comprovada.
A lacuna gera desinformação. Um exemplo recente foi a declaração do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que relacionou o uso de paracetamol na gestação ao autismo. A Organização Mundial da Saúde reiterou que nenhuma evidência sustenta essa associação.
Dados que dimensionam o transtorno
No Brasil, o Censo 2022 do IBGE contabilizou 2,4 milhões de pessoas com TEA. Mundialmente, a OMS estima 1 caso a cada 127 indivíduos. Apesar de números robustos, não existe exame único para diagnosticar ou apontar a origem do transtorno.
Mídias sociais amplificam fake news
Levantamento da Fundação Getulio Vargas em parceria com a Associação Autistas Brasil mostra crescimento de 15.000% em conteúdos falsos sobre o TEA entre 2019 e 2024 na América Latina, com o Brasil liderando publicações conspiratórias. Foram listadas 150 alegadas causas e 150 falsas curas, que vão de chips 5G a terapias com substâncias tóxicas.
Para a neuropediatra Marcela Rodríguez de Freitas, da UFF, boatos aumentam culpa em gestantes e podem levar à recusa de vacinas ou medicamentos essenciais, elevando riscos de infecções e complicações obstétricas.
Avanços no diagnóstico
A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil divulgou em setembro novas diretrizes que recomendam rastrear sinais de autismo a partir dos 14 meses. O diagnóstico segue clínico, mas exames genéticos — como microarranjo e sequenciamento do exoma — podem esclarecer causas e riscos familiares.

Imagem: Internet
Perspectivas de tratamento
Embora não exista cura, intervenções comportamentais intensivas, como ABA, seguem padrão-ouro. Ensaios clínicos testam terapias direcionadas a subgrupos biológicos; a leucovorina, derivado de ácido fólico, mostra benefícios em pacientes com deficiência de folato cerebral, mas não é solução universal.
No momento, especialistas defendem abordagem multidisciplinar, individualizada e continuada, focada na qualidade de vida e na inclusão.
Quer entender mais sobre políticas públicas e inclusão? Acesse nossa editoria Brasil e continue informado.
Crédito da imagem: Agência Einstein















