Carta de Flávio Bolsonaro aos EUA omite relação com Vorcaro
Carta de Flávio Bolsonaro aos EUA omite relação com Vorcaro e critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliados petistas e o ministro Alexandre de Moraes ao pedir ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que suspenda a tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.
Tarifa de 25% e acusações de corrupção
No documento encaminhado em 2 de julho de 2026, o senador e pré-candidato do PL à Presidência argumenta que a sobretaxa prejudicará exportadores do Brasil e consumidores norte-americanos, além de favorecer “os mesmos infratores” citados na justificativa de Washington. Aos olhos de Flávio, a medida seria incoerente porque os Estados Unidos já haviam adotado sanções individuais, com base na Lei Global Magnitsky, contra Moraes e familiares. Ele sustenta que transformar sanções pessoais em tarifa geral puniria a economia e, principalmente, a oposição.
Omissão sobre Daniel Vorcaro e Banco Master
Ao relatar “o maior esquema bancário da história”, o senador menciona o Banco Master e relaciona a fraude a ex-ministros de Lula — Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Jaques Wagner — e a supostos benefícios indevidos. Contudo, omite sua própria ligação e a de aliados com Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. Vorcaro financiou o filme “Dark Horse”, que exalta Jair Bolsonaro, e figura em investigações que alcançam o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o ex-governador do Rio, Cláudio Castro. Nada disso é citado na carta.
Mensalão, Lava Jato e pressão eleitoral
Flávio resgata os escândalos do Mensalão e da Operação Lava Jato para sustentar que a corrupção se intensificou nos governos petistas. Cita ainda supostas fraudes no INSS que envolveriam pessoas próximas a Lula. Ao propor o adiamento da tarifa para depois das eleições de outubro, o senador alega que uma decisão “irreversível” agora teria forte impacto político e limitaria margens de negociação. Segundo ele, em 90 dias o novo governo — seja qual for o vencedor — poderá dialogar “de boa-fé” com os EUA.
Críticas a Moraes e ao STF
O texto também associa Moraes a contratos de R$ 129 milhões firmados pelo escritório fundado pelo ministro, hoje administrado por sua família. Flávio afirma que membros de outro magistrado do Supremo teriam sido vinculados ao mesmo esquema. A carta sustenta que o caso atinge o sistema financeiro norte-americano e poderia ter conexões com organizações classificadas como FTO (Freedom to Operate).

Imagem: Estadão Cteúdo
No encerramento, o parlamentar defende a “restauração de uma relação comercial historicamente benéfica” e pede que Washington preserve “alternativas estratégicas” antes de recorrer a pressões tarifárias.
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Crédito da imagem: Saulo Cruz/Agência Senado















