Home / NOTÍCIAS / GERAIS / Carnaval do passado revive Pierrô e Colombina

Carnaval do passado revive Pierrô e Colombina

Advertisements
Advertisements

Carnaval do passado revive Pierrô e Colombina

Carnaval do passado revive Pierrô e Colombina. Símbolos clássicos da folia brasileira, o casal de personagens perdeu espaço nas ruas, mas ainda inspira a memória afetiva de quem presenciou bailes, confetes e serpentinas nas décadas anteriores.

Da explosão de cores ao brilho nostálgico

Até meados dos anos 1960, o Carnaval nas pequenas cidades reunia famílias inteiras em praças e salões. Paetês, lantejoulas e lança-perfume compunham um cenário descrito pela psicóloga Lenira Rocha Peres Mercadante, testemunha dessa era. Ela recorda o entusiasmo das multidões que acompanhavam escolas de samba modestas, mas vibrantes, embaladas pela cadência da bateria e pela coreografia impecável de Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

Advertisements
Advertisements

Nesse ambiente, Pierrô, Colombina e Arlequim eram presenças fixas. As fantasias românticas, imortalizadas em canções de Chico Buarque, ilustravam o espírito lúdico de um tempo em que a rua se transformava em palco coletivo.

Transformações sociais e o fim de uma era

Mercadante observa que a explosão urbana, a violência e o estresse cotidiano alteraram a forma de celebrar. Se antes o folião buscava alegria descompromissada, hoje muitos veem a festa como válvula de escape. Os versos de Vinicius de Moraes — “a felicidade do pobre parece a grande ilusão do Carnaval” — ganham atualidade ao retratar a diversão como trégua efêmera para problemas sociais.

Para especialistas do Instituto Brasileiro de Cultura, a profissionalização dos desfiles e o crescimento dos blocos de rua em grandes capitais reforçaram a comercialização do evento. Nesse cenário, fantasias simples de Pierrô e Colombina deram lugar a produções temáticas e abadás patrocinados.

O que permanece da tradição

Apesar das mudanças, elementos históricos resistem. Matinês infantis voltam a ganhar força em clubes do interior, resgatando o espírito familiar. Carros alegóricos mantêm o encanto visual, enquanto a Ala das Baianas segue como ponto alto das escolas.

Para a psicóloga, preservar memórias não significa rejeitar a inovação, mas sim reconhecer que “cada época tem seus valores e costumes”, como ela declara. A saudade, afirma, é combustível para novas leituras da festa mais popular do país.

No balanço final, a quarta-feira de cinzas continua encerrando o reinado de Momo, lembrando que, entre confetes e ilusões, a realidade sempre retorna. Quer saber mais sobre tradições brasileiras que atravessam gerações? Visite nossa editoria Brasil e acompanhe análises exclusivas.

Crédito da imagem: Lenira Rocha Peres Mercadante

Advertisements
Advertisements