Canadenses ligados ao Hamas são alvo de investigação
Canadenses ligados ao Hamas são alvo de investigação após relatório de inteligência apontar cerca de 450 pessoas com vínculos à organização palestina responsável por 1.200 mortes e mais de 200 sequestros em 7 de outubro de 2023.
Rede inclui líder financeiro com três passaportes canadenses
Entre os investigados está Usama Ali, 63 anos, também conhecido como Radwan ou Rizwan. Detentor de cidadania canadense e libanesa, ele ocupa posição-chave no Investment Office do Hamas, sediado na Turquia. Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Ali controla um portfólio avaliado em US$ 500 milhões distribuído em empreendimentos de construção e imobiliários na África e no Oriente Médio. Os lucros abastecem a ala militar do grupo, as Brigadas Al-Qassam.
Sanções impostas por Washington em 2022 revelam que o executivo usou três passaportes canadenses e manteve contato direto com o alto comando do Hamas, incluindo o então líder político Ismail Haniyeh. Depois dos ataques de 2023, novas penalidades ampliaram o bloqueio de bens ligados à rede de investimentos.
Winnipeg aparece em investigação sobre criptomoedas
O relatório também menciona Omar Alkassab, sírio que chegou a Winnipeg como refugiado em 2016. Uma carteira de criptomoedas em seu nome foi confiscada por Israel durante operação contra a Dubai Money Exchange, casa de câmbio em Gaza apontada como central de lavagem de capitais para o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina. O governo canadense suspendeu o processo de cidadania de Alkassab e quatro agências federais – RCMP, CSIS, CBSA e Imigração – apuram o caso.
Especialistas dizem que passaportes ocidentais facilitam deslocamentos e oferecem proteção consular a militantes. “Ter documento estrangeiro é um bilhete de viagem”, explicou Matthew Levitt, pesquisador do Washington Institute for Near East Policy.
Crime no Canadá: participação traz consequências
O Serviço Canadense de Inteligência de Segurança (CSIS) confirma investigações sobre canadenses em grupos terroristas no Oriente Médio, mas não detalha operações. A listagem oficial de entidades banidas no país, disponível no site do Public Safety Canada, torna ilegal qualquer apoio ao Hamas. Líderes comunitários, como Noah Shack, do Centre for Israel and Jewish Affairs, cobram “consequências reais” para envolvidos e rápida ação governamental para evitar ameaças internas e o uso do território canadense como plataforma financeira do terrorismo.

Imagem: Saeed Jaras/Middle
Com investigações em andamento e sanções internacionais ampliadas, o Canadá busca dificultar o trânsito de recursos que alimentam a ala militar do Hamas enquanto examina a cumplicidade de cidadãos e residentes permanentes no financiamento do extremismo.
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Crédito da imagem: Saeed Jaras/Middle East Images/ABACAPRESS.COM















