Canadenses do ISIS são transferidos para prisões no Iraque
Canadenses do ISIS são transferidos para prisões no Iraque após uma operação que deslocou 5,7 mil suspeitos de terrorismo de centros de detenção no nordeste da Síria para estabelecimentos iraquianos, informou o Conselho Supremo Judicial do Iraque.
Transferência envolve 61 nacionalidades
Segundo a autoridade judiciária iraquiana, os detidos pertencem a 61 países. Embora mais da metade seja de origem síria, o órgão citou o Canadá entre as nacionalidades estrangeiras mais proeminentes, ao lado de Alemanha, Rússia, Austrália, Holanda, Bélgica, França, África do Sul, Nova Zelândia e Reino Unido.
O comunicado não detalhou quantos canadenses foram movidos nem revelou identidades. Pelo menos cinco homens do Canadá estavam presos pelos curdos antes da mudança, entre eles um atirador de elite que admitiu participação em células do grupo terrorista. As mulheres e crianças canadenses já haviam sido repatriadas em 2022 e 2023, mas Ottawa manteve os homens sob custódia curda.
EUA aceleram remoção diante de avanço sírio
O processo de transferência começou no mês passado, quando os Estados Unidos decidiram retirar os prisioneiros de áreas controladas pelas Forças Democráticas Sírias, ameaçadas pelo governo de Damasco e por facções jihadistas. Ônibus escoltados por veículos militares norte-americanos cruzaram a fronteira, concluindo a operação na quinta-feira.
Julgamentos rápidos geram críticas
O Conselho Supremo Judicial do Iraque afirmou ter jurisdição sobre todos os detidos, independentemente da nacionalidade ou posição dentro do ISIS, e promete investigá-los e julgá-los em solo iraquiano. Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, questionam a celeridade dos tribunais locais, que costumam basear sentenças em confissões obtidas sob tortura e oferecem acesso limitado a defesa técnica. Pesquisadores alertam para possíveis condenações equivocadas e penas de morte.
Bagdá também cobrou que os países de origem assumam responsabilidade por seus cidadãos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou o apelo para que governos repatriem os presos e conduzam processos próprios.

Imagem: Internet
O governo canadense, por meio de Assuntos Globais, informou que “acompanha a situação”, mas recusou-se a divulgar números ou nomes, alegando razões de privacidade e segurança. A ministra das Relações Exteriores, Anita Anand, declarou em Ottawa que o bem-estar dos canadenses permanece prioridade “em todas as etapas”.
No momento, os canadenses detidos aguardam definição do destino jurídico em um sistema judicial sobrecarregado, enquanto especialistas temem falta de devido processo. Acompanhe desdobramentos e outras análises na editoria BRASIL e fique informado.
Crédito da imagem: Stringer/Xinhua via ZUMA Press / AP Photo/Hadi Mizban















