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Câmara de Juiz de Fora abordou três bairros só 23 vezes

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Câmara de Juiz de Fora abordou três bairros só 23 vezes

Câmara de Juiz de Fora abordou três bairros só 23 vezes entre 2000 e 2026, segundo levantamento do Núcleo de Estudos sobre Política Local (Nepol) da UFJF. O estudo analisou 8.400 proposições ligadas a chuva, área de risco, enchentes e deslizamentos e identificou que Paineiras, Três Moinhos e Parque Burnier, atingidos pelas chuvas recentes, estiveram em apenas 23 requerimentos nesse período.

Câmara de Juiz de Fora abordou três bairros só 23 vezes

De acordo com os pesquisadores Gustavo Paravizo e Guilherme Duque, 7.629 dos documentos catalogados são requerimentos – instrumento que, segundo eles, oferece visibilidade imediata ao vereador sem o desgaste de debater projetos complexos em audiência pública. Projetos de Lei e complementares representam apenas 1,2% das iniciativas.

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Levantamento detalha foco das proposições

Os temas foram agrupados em eixos como infraestrutura e drenagem (53,4%), serviços urbanos (30,4%) e contenção de encostas (13,1%). Termos como “chuva” (33,3%) e “contenção de encostas” (30,9%) lideram as ocorrências nas ementas. Já “área de risco” aparece em apenas 2,3% das vezes.

Bairros mais atingidos aparecem pouco

Nos pedidos de ação por bairro, Santa Luzia lidera com 77 menções. Em contraste, Parque Burnier recebeu 11 citações, Três Moinhos, 9, e Paineiras, somente 3. O número equivale a menos de uma referência anual na Câmara Municipal.

Posicionamento do Legislativo

Procurada, a Câmara informou ter realizado em fevereiro de 2025 um seminário sobre riscos climáticos com participação da diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), reafirmando compromisso com a prevenção. A instituição também destacou que áreas classificadas como de risco não devem ser ocupadas, o que limitaria a eficácia de novos projetos de lei.

Pesquisadores defendem debate sobre uso do solo

Para Paravizo, é preciso discutir zoneamento urbano, licenciamento e ocupação do solo: “São temas fundamentais para a reconstrução da cidade e para evitar novos eventos como os da última semana”.

O estudo completo está disponível no site do Nepol e aprofunda dados que podem orientar políticas de mitigação de desastres.

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Crédito da imagem: Felipe Couri

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