Cacau atinge máxima de 7 meses em Londres; açúcar sobe
Cacau atinge máxima de 7 meses em Londres; açúcar sobe na sessão desta quarta-feira, refletindo temores de um El Niño mais intenso e o encarecimento do petróleo, fatores que também impulsionaram o açúcar bruto a quase dois meses de alta.
Cacau atinge máxima de 7 meses em Londres; açúcar sobe
Os contratos de cacau negociados na ICE Futures Europe avançaram 5,3%, encerrando o dia a 4.493 libras por tonelada, depois de tocarem 4.613 libras, o maior nível desde dezembro passado. Operadores relatam escassez de oferta, reforçada pelo fato de a Costa do Marfim — principal produtor global — já ter comprometido grande parte da safra atual em vendas antecipadas.
A perspectiva climática é outro ponto de atenção. A Organização Meteorológica Mundial elevou a classificação do El Niño para “forte” e sinalizou a possibilidade de rever o fenômeno para “muito forte”. Em 2024, um episódio menos severo já havia provocado a quase triplicação dos preços do cacau ao comprometer colheitas na África Ocidental.
Em Nova York, o cacau acompanhou o movimento e encerrou com alta de 5,1%, a US$ 6.052 por tonelada, após marcar o pico de seis meses em US$ 6.224. Analistas veem espaço limitado para novas pressões de venda enquanto persistirem os riscos climáticos.
No mercado de açúcar bruto, o contrato mais líquido fechou estável em 15,11 centavos de dólar por libra-peso, porém chegou a registrar 15,39 centavos, o maior patamar desde maio. Segundo o analista Michael McDougall, a valorização do petróleo favorece o etanol derivado da cana-de-açúcar, reduzindo a oferta destinada ao açúcar e sustentando os preços.
No Brasil, a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que poderia decidir sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina foi adiada, mantendo a incerteza sobre a demanda por açúcar. Para a safra 2026/27, a consultoria Czarnikow projeta déficit global modesto de 600 mil toneladas, sinal de mercado potencialmente mais apertado.

Imagem: Reuters
Entre as demais commodities, o açúcar branco subiu 1%, a US$ 480,60 por tonelada. Já o café arábica recuou 2,5%, a US$ 3,098 por libra-peso, devolvendo parte do avanço especulativo visto no início da semana. O café robusta caiu 3,4%, a US$ 3.741 por tonelada, diante do ingresso de produtores brasileiros no mercado.
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Crédito da imagem: Reuters















