BRB cobra ressarcimento ao STF na delação de Vorcaro
BRB cobra ressarcimento ao STF na delação de Vorcaro logo após formalizar, nesta quinta-feira (2), um ofício ao ministro André Mendonça. A instituição quer que o acordo de colaboração do banqueiro Daniel Vorcaro preveja a devolução integral dos prejuízos gerados pelo aporte de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consignado falsificadas do liquidado Banco Master.
BRB cobra ressarcimento ao STF na delação de Vorcaro
O documento, assinado pela Presidência do Banco Regional de Brasília, não fixa um valor específico, pois o rombo definitivo ainda está sendo calculado com base na qualidade dos ativos que substituíram as carteiras irregulares. Mesmo assim, o pedido funciona como referência inicial para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, responsáveis por negociar os termos da delação.
Negociação inclui penas e valores
A defesa de Vorcaro, conduzida pelos advogados José Luís de Oliveira Lima e Sérgio Leonardo, tem cerca de 45 dias para organizar os temas que o banqueiro abordará. Só depois dessa etapa começam as tratativas sobre tempo de prisão e montantes a serem restituídos. Investigadores já sinalizam que, devido à dimensão da fraude financeira, algum período de encarceramento será inevitável, ainda que em regime mais brando, como a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Vorcaro está desde que firmou termo de confidencialidade com PGR e PF.
Resistência inicial do delator
Interlocutores relatam que o banqueiro demonstrou relutância em admitir crimes e assumir o papel de colaborador, postura considerada comum nos estágios iniciais de uma delação, mas que pode atrasar o acordo. Há também receio de que os investigadores exijam valores bilionários de ressarcimento e a renúncia a grande parte do patrimônio pessoal, já que o Banco Master não tem recursos para arcar com as perdas.
Dificuldades para quantificar o prejuízo
Enquanto técnicos do BRB revisam os ativos substituídos, a cifra de R$ 12 bilhões é tratada como referência inicial. A lei de colaboração premiada impede que líderes de organização criminosa recebam perdão judicial total, o que torna quase certa a combinação de pena de prisão e devolução de recursos. Casos emblemáticos, como o acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões firmado pelo grupo J&F na Operação Lava Jato, servem de parâmetro para os negociadores.
Para contextualizar a complexidade desse tipo de tratativa, o G1 reúne exemplos de grandes negociações de ressarcimento que orientam Ministério Público e Polícia Federal.

Imagem: Estadão Cteúdo
No fim, o STF decidirá se homologa ou não o acordo, após analisar se as condições propostas atendem ao interesse público e garantem o ressarcimento pleiteado pelo banco.
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Crédito da imagem: Agência Brasília















