Brasil no Espelho detalha valores e crenças do brasileiro
Brasil no Espelho, novo livro do cientista político Felipe Nunes, apresenta o maior levantamento já realizado sobre valores, atitudes e percepções no país, baseado em 9.994 entrevistas conduzidas entre novembro e dezembro de 2023.
Conservadorismo ainda domina o panorama nacional
Nunes, também autor de “Biografia do Abismo”, conclui que, em média, o Brasil permanece conservador. A pesquisa mostra prevalência de valores tradicionais ligados à religião, à centralidade da família e a visões estereotipadas sobre o papel masculino. O estudo indica baixa aceitação de minorias, com o “diferente” sendo tolerado, mas considerado incômodo por boa parte dos entrevistados.
Religião se reconfigura, mas mantém força
Segundo o levantamento, 96% dos brasileiros acreditam que Deus conduz suas vidas. O cristianismo segue majoritário, porém com profunda mudança na composição: católicos somam 51%, evangélicos 31%, outras religiões 4% e pessoas sem religião 14%. Mesmo entre os que se declaram sem vínculo religioso, 91% dizem ter fé em Deus ou ser superior. Dados recentes do IBGE corroboram a expansão das denominações evangélicas nas últimas décadas.
Família segue como principal referência
O conceito de família é amplo: 80% veem esse núcleo como pessoas em quem se pode confiar nos momentos difíceis, independentemente de laços sanguíneos. A importância, porém, varia: homens valorizam mais o modelo tradicional, enquanto pessoas de renda mais alta tendem a relativizar seu peso.
Quatro gerações, múltiplos perfis
Para detalhar as diferenças internas, o estudo dividiu os participantes em gerações: Bossa Nova (1945-1964), Ordem e Progresso (1965-1984), Redemocratização (1985-1999) e Geração.Com (2000-2009). Cada faixa etária revela nuances em temas como tolerância, papel da mulher e visão sobre Estado, mostrando que a transformação cultural ocorre, mas de forma desigual.
Imagem: Paulo Cesar Magella
No prefácio, Suzana Pamplona Miranda, diretora de Pesquisa & Conhecimento da Globo, destaca que o livro traduz números em humanidade, evidenciando um país em mudança, porém ancorado em crenças tradicionais.
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Crédito da imagem: Paulo Cesar Magella













