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Boeing 737 Max: famílias pedem julgamento criminal

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Boeing 737 Max: famílias pedem julgamento criminal

Boeing 737 Max volta ao centro de uma disputa judicial nesta quarta-feira (10), quando o juiz federal Reed O’Connor, no Texas, ouvirá apelos de famílias que perderam entes queridos nos dois acidentes que mataram 346 pessoas em 2018 e 2019.

Boeing 737 Max: famílias pedem julgamento criminal

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) requer o arquivamento da acusação de conspiração para fraude apresentada contra a Boeing. A companhia já havia admitido culpa, mas o acordo foi rejeitado em dezembro passado por O’Connor, que questionou critérios de diversidade na escolha de um fiscal independente.

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Durante seis meses, governo e empresa renegociaram e firmaram um non-prosecution agreement: em troca do pagamento ou investimento adicional de US$ 1,1 bilhão em multas, indenizações e melhorias internas de segurança, o DoJ propõe extinguir a ação, podendo reativá-la se as condições forem descumpridas em dois anos.

Parte das famílias – entre elas a francesa Catherine Berthet, mãe de Camille Geoffrey, 28 anos, morta no voo da Ethiopian Airlines – pede que o magistrado rejeite o pedido do governo e nomeie um promotor especial para levar ex-executivos da Boeing a julgamento público. Segundo elas, aceitar o acordo representaria “negação de justiça” e “desrespeito às vítimas”.

Os procuradores argumentam que 110 famílias apoiam ou não se opõem à solução extrajudicial e que convencer um júri seria arriscado, enquanto o pacto “assegura responsabilidade significativa e benefícios públicos imediatos”.

Os acidentes, em Java (Indonésia) e Addis Abeba (Etiópia), foram ligados ao software MCAS, que baixava o nariz da aeronave repetidamente a partir de leituras erradas de um único sensor. Investigação do inspetor-geral de Transportes apontou que a Boeing ocultou mudanças do sistema à Administração Federal de Aviação (FAA), levando o órgão a exigir apenas treinamento computadorizado dos pilotos.

Em 2021, a fabricante pagou US$ 2,5 bilhões e evitou processo criminal, mas o rompimento desse acordo foi declarado após a explosão de uma porta em um 737 Max da Alaska Airlines no início de 2023. Até hoje, apenas um ex-piloto de testes foi acusado individualmente e acabou absolvido.

Analistas observam que a decisão de O’Connor poderá redefinir a responsabilização corporativa em casos de segurança aérea. A Reuters detalha o contexto do embate judicial em matéria recente disponível aqui.

No Brasil, outras análises sobre grandes investigações podem ser conferidas na editoria BRASIL. Acompanhe nossos conteúdos e fique por dentro de temas que impactam diretamente a segurança dos consumidores.

Crédito da imagem: Global News

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