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Bebês reborn e atalhos emocionais elevam risco psíquico

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Bebês reborn e atalhos emocionais elevam risco psíquico

Bebês reborn e atalhos emocionais como o uso de chupetas por adultos, a exposição precoce de crianças nas redes sociais e a interação intensa com inteligência artificial estão associados a um aumento do risco de adoecimento psíquico, segundo a psicóloga Laís Mutuberria.

Bebês reborn e atalhos emocionais elevam risco psíquico

Para a especialista em saúde mental, esses fenômenos oferecem “soluções instantâneas” que evitam o enfrentamento da frustração. “Vivemos num contexto de imediatismo em que espera e dor são vistas como falhas; o mercado fornece anestésicos emocionais”, afirma.

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Regressão e infantilização de adultos

Objetos afetivos, como os populares bebês reborn e as chupetas usadas por adultos, funcionam como atalhos emocionais. Eles oferecem alívio rápido, mas apontam para uma regressão defensiva que adia a confrontação de desafios próprios da vida adulta. “Criamos um simulacro controlado para não lidar com o real”, observa Mutuberria.

Exposição precoce de crianças nas redes sociais

Segundo a psicóloga, a adultização de crianças ocorre quando pais utilizam telas para controlar comportamentos ou buscam aprovação online transformando filhos em personagens digitais. Essa prática compromete a formação da identidade infantil, expondo-as a pressões e comparações adultas.

Inteligência artificial como gatilho psíquico

Embora a IA não seja causa direta de transtornos, o uso obsessivo pode agir como gatilho em pessoas predispostas. A tecnologia, programada para entregar respostas complacentes, reforça fragilidades psíquicas que, em casos extremos, culminam em delírios. A Organização Mundial da Saúde alerta para a necessidade de limites digitais na preservação da saúde mental (OMS).

A lógica do imediatismo e a crise da alteridade

Todas as tendências citadas refletem a aceleração digital e a mercantilização de experiências íntimas. Para Mutuberria, ocorre uma “crise da alteridade”: o outro – seja a criança, o parceiro ou a realidade – torna-se insuportável, e tecnologias devolvem apenas um reflexo idealizado de nós mesmos.

Ela defende o resgate da frustração, do tempo e do encontro real como caminhos para reduzir o adoecimento psíquico. “Ao fugir do sofrimento, criamos novas formas de dor”, conclui.

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Crédito da imagem: Estadão Conteúdo

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