Azul e Gol: especialistas veem recuperação difícil
Azul e Gol: especialistas veem recuperação difícil Enfrentando dívidas em dólar, juros elevados e combustíveis caros, as duas maiores companhias aéreas brasileiras lutam para reverter a crise, segundo analistas ouvidos pelo Money Times.
Setor aéreo pressionado por custos externos
Os especialistas Carlos Honorato, professor da FIA Business School, e Felipe SantAnna, do grupo Axia Investing, apontam que o setor aéreo global sofre com fatores como leasing de aeronaves cotado em dólar, volatilidade do petróleo e choques externos — de pandemias a erupções vulcânicas. No Brasil, o problema se agrava: cerca de 40% dos custos operacionais das empresas são dolarizados, enquanto a receita chega em reais.
Honorato lembra que gigantes europeias, como TAP e Lufthansa, recorreram a subsídios estatais para sobreviver. “Aqui, porém, o governo já possui limitações fiscais”, afirma. SantAnna vai além: defende que o transporte aéreo seja tratado como serviço público, com políticas específicas de ICMS sobre querosene de aviação. Até o momento, ele vê “pouquíssima chance” de apoio oficial.
Estratégias internas também pesam
Embora reconheçam o impacto macroeconômico, os analistas citam falhas de gestão. A Gol, por exemplo, aumentou seu endividamento ao adquirir a Varig em 2007. Já a Azul iniciou processo de Chapter 11 nos EUA logo após a Gol encerrar o seu. Segundo Honorato, o elevado passivo dificulta ajustes rápidos em frota e rotas, exigindo cortes que afetam a qualidade do serviço.
Fusão ou codeshare resolve?
A possível união entre Azul e Gol divide opiniões. Para SantAnna, a fusão esbarraria em restrições regulatórias e criaria “o casamento de dois esfarrapados”. Enrico Cozzolino, da Levante Investimentos, vê a integração como “mandatória” para ganhar escala e margens, mas admite que processos de fusão raramente são simples.
Por que as ações seguem sob pressão
Na Bolsa, os papéis AZUL4 e GOLL4 continuam voláteis. Cozzolino alerta que o investidor deve exigir prêmio de risco maior, pois o capital intensivo e a sensibilidade a juros corroem retornos. SantAnna é categórico: “Ações de companhia aérea são historicamente um péssimo negócio, aqui e lá fora”. Ele atribui os recentes repiques de preço a pura especulação de curto prazo.
Imagem: Lorena Matos
Com custos em dólar, endividamento elevado e falta de políticas públicas, o consenso entre os especialistas é que a recuperação de Azul e Gol exigirá reformas estruturais no setor — algo inédito no histórico brasileiro.
Quer acompanhar outras análises sobre empresas brasileiras e setor de transportes? Visite nossa editoria em Brasil e continue informado.
Crédito da imagem: REUTERS/Ricardo Moraes















