Armas canadenses no Sudão: pressão para Ottawa agir
Armas canadenses no Sudão: pressão para Ottawa agir impulsiona uma nova onda de apelos para que o governo de Mark Carney bloqueie o possível desvio de equipamentos bélicos fabricados no Canadá para a milícia Rapid Support Forces (RSF), responsável por violências étnicas no Darfur.
Armas canadenses no Sudão: pressão para Ottawa agir
Antes de embarcar rumo aos Emirados Árabes Unidos (EAU) a caminho da cúpula do G20 de 22 de novembro, Carney enfrenta críticas de organizações como a World Vision Canada e a Canadians for Justice and Peace in the Middle East. Elas afirmam que aeronaves identificadas como transportadoras de ajuda humanitária decolam dos EAU, mas chegariam ao Sudão carregadas de armas — algumas, supostamente, de origem canadense.
O diretor de políticas da World Vision, Martin Fischer, diz que “armas e componentes canadenses alimentam o conflito” e que o sistema de exportação de defesa do país “não corresponde à realidade em campo”. Dados oficiais revelam que empresas nacionais venderam US$ 7 milhões em armamentos aos EAU em 2023.
Desde abril de 2023, o confronto entre o Exército sudanês e a RSF gerou a maior crise de deslocamento do mundo, com mais de 30 milhões de pessoas precisando de assistência, incluindo 16 milhões de crianças. Relatórios da Organização das Nações Unidas consideram credíveis as denúncias de que os EAU abastecem a RSF, acusação que o governo emiradense nega veementemente.
Na última semana de outubro, a Organização Mundial da Saúde relatou um ataque da RSF a um hospital em El-Fasher que resultou em centenas de mortos e no sequestro de profissionais de saúde. Imagens de satélite analisadas pela Yale Humanitarian Research Lab apontam possíveis valas comuns na região. A ministra canadense das Relações Exteriores, Anita Anand, condenou os massacres e pediu “passagem desimpedida” para ajuda humanitária, lembrando que o Canadá já destinou C$ 103 milhões em auxílio desde o início da guerra.
Parlamentares também pressionam. A deputada Heather McPherson (NDP) acusou Ottawa de “inação que alimenta crimes de guerra” e defende sanções mais duras aos EAU, bem como a classificação da RSF como organização terrorista. Especialistas da Universidade McGill destacam ainda o intercâmbio de “ouro de conflito” do Darfur por armas, sugerindo que o Canadá use seu assento na OCDE para restringir o comércio mineral com origem em zonas de guerra.

Imagem: Dylan Roberts The Canad
Pressionado, o governo ressalta que o regime de controle de exportações é “referência mundial”, mas admite revisar denúncias sobre desvios. Para Fischer, contudo, Ottawa precisa “limpar a própria casa” e suspender licenças que possam culminar em mais armas canadenses nas mãos de milícias.
No momento em que Carney prepara sua agenda no Golfo, ativistas esperam que o Canadá fortaleça inspeções, amplie o socorro humanitário e lidere esforços diplomáticos para conter o fluxo de armamentos que prolonga o sofrimento no Sudão. Para aprofundar esse debate e acompanhar outras análises internacionais, visite nossa editoria em Minas Informa.
Crédito da imagem: Global News















