Apagão em Cuba: canadenses relatam cansaço de moradores
Apagão em Cuba: duas voluntárias canadenses descrevem uma rotina em que a população conta as poucas horas de luz para cozinhar, carregar celulares e estocar água.
Apagão em Cuba: canadenses relatam cansaço de moradores
Leanne Isaak e Elise Hjalmarson, ambas de Kelowna, na Colúmbia Britânica, desembarcaram em Havana na sexta-feira (12) com 14 malas cheias de medicamentos, equipamentos solares, fraldas geriátricas, luvas cirúrgicas e absorventes. O objetivo é distribuir os itens, em parceria com grupos locais, por diversas províncias cubanas a bordo de um carro elétrico alugado.
Segundo Isaak, fundadora da ONG One Shared Future – Un Futuro Compartido, a crise energética faz os cubanos darem prioridade máxima a qualquer tarefa quando a eletricidade retorna. “Alguns chegam a ficar três dias no escuro. Quando a luz volta por duas horas, eles cozinham, tomam banho e correm para carregar tudo”, relata.
A precariedade se agravou após o fim dos embarques de petróleo da Venezuela e as ameaças de sanções dos Estados Unidos. Sem combustível suficiente, Cuba opera suas termoelétricas com gás natural e energia solar, mas não consegue atender à demanda. Hospitais cancelam cirurgias, universidades reduzem aulas e alimentos estragam antes de chegar à mesa.
As voluntárias sentiram o impacto já no aeroporto, que sofreu pane enquanto suas malas ainda estavam na esteira. Horas depois, outro blecaute interrompeu o elevador do prédio onde se hospedam, obrigando ambas a carregar a carga escada acima.
Apesar do desgaste, Isaak observa que os cubanos mantêm momentos de convivência. “Às duas da manhã, vimos gente jogando dominó na rua, música tocando e pessoas dançando”, diz. Para ela, o povo demonstra resiliência e busca alegria mesmo diante da incerteza.

Imagem: Internet
Ajuda internacional começa a chegar, e um navio russo com petróleo é aguardado ainda este mês, mas os voluntários alertam que o alívio pode ser temporário. “Estamos motivadas a cumprir nossa missão, mas sabemos que o desafio diário dos cubanos vai além da nossa curta presença”, conclui Hjalmarson.
De acordo com a agência Reuters, Washington condiciona o fim das sanções a mudanças políticas na ilha, o que mantém o cenário indefinido.
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Crédito da imagem: Global News
















