Animais escavadores inspiram novas tecnologias, diz USP
Animais escavadores inspiram novas tecnologias é a conclusão preliminar de um consórcio internacional que une Universidade de São Paulo (USP), University College London, instituições da Bélgica e da Dinamarca para destrinchar o sistema musculoesquelético das anfisbenas, popularmente chamadas de cobras-de-duas-cabeças.
Animais escavadores inspiram novas tecnologias, diz USP
Coordenado no Brasil pela professora Tiana Kohlsdorf, do Laboratório de Evolução e Biologia Integrativa da FFCLRP-USP, o projeto avalia oito hipóteses sobre a adaptação desses répteis ao solo. A equipe estuda desde a morfologia craniana até a expressão gênica durante o desenvolvimento embrionário, combinando imagens em nanoescala, tomografia computadorizada, testes de enterramento e medições de força de mordida.
As anfisbenas somam mais de 200 espécies e são abundantes em território brasileiro. O corpo alongado sem membros e a cauda que lembra a cabeça permitem locomoção bidirecional sob a terra, onde constroem galerias e realizam a maior parte de suas atividades. Segundo o pós-doutorando Vinicius Anelli, essas características oferecem um modelo ideal para criar robôs escavadores capazes de operar em ambientes restritos ou perigosos.
No país, espécimes vivos são submetidos a testes controlados, enquanto exemplares preservados da Coleção Herpetológica de Ribeirão Preto alimentam a produção de imagens de alta resolução no Centro para Documentação da Biodiversidade. Todo o genoma das espécies analisadas será sequenciado para rastrear genes ligados à formação de ossos, músculos e tegumento.
De acordo com Mehran Moazen, da University College London, modelos computacionais em macro e microescala simulam como o formato da cabeça reage a diferentes tipos de solo. O conhecimento obtido poderá orientar a engenharia de tecidos na reconstrução de articulações cranianas e impulsionar a robótica macia voltada a operações biomédicas, engenharia civil e até resgate em incêndios.
Desafios logísticos incluem a coleta esparsa de animais e a reprodução de condições subterrâneas por três anos, prazo previsto para o estudo. Colaborações externas, como o empréstimo de uma plataforma de força do Museu de História Natural de Paris, ajudam a contornar limitações de equipamento.

Imagem: Richard Avery
Ao integrar genética, biomecânica e engenharia, o consórcio espera transformar a compreensão de locomotores subterrâneos em soluções práticas para a indústria e a medicina.
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Crédito da imagem: Richard Avery/Wikipédia















