Anexação da Cisjordânia: ministro israelense prepara mapas
Anexação da Cisjordânia: o ministro israelense das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmou nesta quarta-feira (5) que uma equipe subordinada a ele no Ministério da Defesa elabora mapas para incorporar amplas áreas da Cisjordânia ao território de Israel, deixando de fora seis grandes cidades palestinas, entre elas Ramallah e Nablus.
Anexação da Cisjordânia: ministro israelense prepara mapas
Em coletiva de imprensa realizada em Jerusalém, Smotrich exibiu um mapa que antecipa a possível anexação da maior parte da Cisjordânia ocupada. O político, ligado ao movimento dos colonos, declarou que busca “território máximo e população palestina mínima” sob soberania israelense. “Chegou a hora de aplicar a soberania israelense sobre a Judeia e Samaria e eliminar, de uma vez por todas, a ideia de dividir nossa pequena terra”, disse, usando a nomenclatura bíblica comum em Israel.
Smotrich insistiu para que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apoie o plano, mas o gabinete do premiê não comentou a proposta. Qualquer avanço concreto dependeria de longo processo legislativo, cujos passos e cronograma permanecem indefinidos.
Conforme destacou a agência Reuters, a anexação da Cisjordânia, capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967, provocaria forte condenação de países árabes e ocidentais. O representante dos Emirados Árabes Unidos classificou a medida como “linha vermelha”, enquanto o porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas declarou qualquer anexação “ilegítima, condenável e inaceitável”.
Grupos palestinos também reagiram. Abdel Hakim Hanini, do Hamas, afirmou que a iniciativa não trará mais segurança a Israel e “aumentará a resistência”. A tensão ocorre num momento em que França, Reino Unido, Austrália e Canadá sinalizam reconhecer formalmente um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU em setembro, movimento que irritou Tel Aviv.
A Corte Internacional de Justiça reiterou, em 2024, que a ocupação israelense nos territórios palestinos e os assentamentos são ilegais e deveriam terminar “o mais rápido possível”. Israel argumenta que as áreas são “disputadas”, não “ocupadas”, em termos jurídicos.
Imagem: Dedi Hayun Reuters
Seja qual for o desfecho, a iniciativa de Smotrich reforça a pauta da anexação da Cisjordânia no governo mais à direita da história israelense e amplia incertezas sobre o futuro do processo de paz.
Quer acompanhar mais análises geopolíticas? Visite nossa editoria Brasil e Mundo e continue informado.
Crédito da imagem: Global News/Reprodução















