Anã marrom O Acidente revela molécula rara e ajuda NASA
Anã marrom O Acidente revela molécula rara e ajuda NASA ao apresentar traços de silano, composto que astrônomos buscavam em Júpiter e Saturno há sete décadas.
Anã marrom O Acidente revela molécula rara e ajuda NASA
Pesquisadores utilizaram o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para analisar a anã marrom batizada de “O Acidente”, localizada a 50 anos-luz da Terra. Com idade estimada entre 10 e 12 bilhões de anos, o objeto tornou-se o primeiro corpo celeste em que se detectou o silano (SiH4), molécula formada por silício e hidrogênio.
A identificação, publicada na revista Nature, pode esclarecer por que sondas nunca encontraram esse composto na atmosfera de Júpiter e Saturno, apesar das buscas iniciadas em 1953. A principal teoria indica que, nos gigantes gasosos, o silício liga-se preferencialmente ao oxigênio, formando óxidos que afundam para camadas profundas, fora do alcance dos instrumentos.
Anãs marrons, como O Acidente, situam-se entre planetas e estrelas. Elas nascem do colapso de nuvens de gás que não acumulam massa suficiente para iniciar a fusão de hidrogênio. Com massa entre 13 e 80 vezes a de Júpiter, esses corpos esfriam lentamente, adquirindo atmosferas semelhantes às de planetas gasosos. “É uma bola de gás sem um reator de fusão interno”, resumiu Peter Eisenhardt, cientista da NASA que integrou o estudo.
O Acidente foi descoberto em 2020, durante o projeto cidadão Backyard Worlds: Planet 9, que analisava dados do telescópio infravermelho NEOWISE. A raridade do silano surpreendeu a equipe liderada por Jacqueline Faherty, do Museu Americano de História Natural, pois sugere que a anã marrom surgiu quando o Universo continha menos oxigênio livre. Nessa condição, o silício pôde combinar-se com hidrogênio, em vez de oxigênio.
Segundo Faherty, compreender a variedade química de anãs marrons prepara os astrônomos para analisar futuros exoplanetas rochosos. “Não estamos encontrando vida nessas estrelas fracassadas, mas aprendendo a interpretar atmosferas complexas”, afirmou.
Imagem: Planetkid
Os resultados também oferecem pistas sobre a formação dos planetas gigantes do Sistema Solar. Se a ausência de silano em Júpiter e Saturno deve-se à abundância de oxigênio, modelos atmosféricos precisarão ser ajustados para levar em conta essa diferença primordial, reforçando a relevância de observações com o JWST.
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Crédito da imagem: Planetkid32 / Wikimedia Commons















