Água subterrânea de bilhões de anos pode abrigar vida
Água subterrânea de bilhões de anos pode abrigar vida. Novas análises de poços ultraprofundos mostram que reservas hídricas isoladas desde o Pré-cambriano contêm hidrogênio suficiente para sustentar vastos ecossistemas microbianos fora do alcance da luz solar.
Água subterrânea de bilhões de anos pode abrigar vida
Pesquisadores mapearam 19 minas no Canadá, na África do Sul e na Finlândia onde água subterrânea presa nas fraturas de rochas do escudo pré-cambriano permanece líquida havia entre 1,5 e 2,64 bilhões de anos. A amostra mais antiga foi coletada a quase três quilômetros de profundidade, próximo à cidade de Timmins, no Canadá.
As medições revelaram altas concentrações de hidrogênio, gás liberado por dois processos geológicos independentes da luz solar: a decomposição radiolítica, quando a radiação natural quebra moléculas de água, e a serpentinização, reação que altera minerais ferrosos em rochas antigas. Ambos produzem energia química que sustenta microrganismos quimiolitoautotróficos, semelhantes aos encontrados em fontes hidrotermais oceânicas.
Segundo a geoquímica Barbara Sherwood Lollar, esse “gigante adormecido” sugere que mais de 70 % da crosta continental — formada por rochas pré-cambrianas — pode ser habitável. Ambientes antes considerados inertes abrigariam comunidades microbianas diversas, alterando a estimativa global de biomassa subterrânea.
O achado também tem implicações astrobiológicas. Se reações análogas ocorrerem em Marte ou em luas geladas, reservatórios subterrâneos ricos em hidrogênio poderiam manter vida microscópica sem necessidade de luz. A revista Nature detalha como esses ecossistemas extremos mudam a perspectiva de habitabilidade planetária. (Nature)

Imagem: J Telling
Estudos adicionais apontam que o interior da Terra pode armazenar até três vezes mais água do que todos os oceanos de superfície, retida na estrutura cristalina de minerais sob alta pressão. Embora inacessível à biologia conhecida, o dado reforça a visão de que o planeta é aquático em múltiplos níveis — inclusive nos domínios invisíveis do subsolo.
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Crédito da imagem: J Telling (2009)/Nature















