Ações da Kenvue disparam após falas de Trump
Ações da Kenvue voltaram a subir com força nesta terça-feira, após o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump repetir, em coletiva na Casa Branca, alegações não comprovadas de que o Tylenol estaria ligado ao autismo e a vacinas.
Ações da Kenvue disparam após falas de Trump
Na segunda-feira (data local), Trump aconselhou grávidas a “não tomarem Tylenol” e sugeriu que mães evitem oferecer o analgésico — conhecido como acetaminofeno nos EUA e paracetamol em vários países — a bebês. A declaração derrubou as ações da Kenvue, empresa sediada em Summit, Nova Jersey, em 7,5% no fechamento de mercado.
Já no pré-mercado desta terça, os papéis recuperaram quase todas as perdas, avançando pouco mais de 7%. Analistas da Citi Investment Research, liderados por Filippo Falorni, avaliaram em relatório que o risco de novos processos judiciais é “limitado”, pois não houve apresentação de evidências científicas inéditas.
A Kenvue, desmembrada da Johnson & Johnson em 2023 e dona também de marcas como Band-Aid e Listerine, emitiu nota reafirmando que não existe ligação comprovada entre o uso de Tylenol e o desenvolvimento de autismo. A companhia alertou que grávidas que evitarem o medicamento em casos de febre podem ficar sem alternativas seguras.
As afirmações de Trump reaparecem em um momento de fortalecimento do movimento “Make America Healthy Again”, capitaneado pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos Robert F. Kennedy Jr., conhecido cético sobre vacinas. O grupo busca ligar possíveis causas ambientais ou médicas ao aumento de diagnósticos de autismo nos EUA.
Estudos revisados pela Organização Mundial da Saúde não apontam relação causal entre o paracetamol, vacinas e transtornos do espectro autista. Nos tribunais, a Kenvue já enfrentou centenas de processos semelhantes; a maioria foi arquivada.
Imagem: Michelle Chapman The Asso
No curto prazo, o mercado parece apostar que a ausência de dados novos limitará danos à imagem do Tylenol e conterá litígios. Ainda assim, especialistas alertam que manchetes negativas podem afetar o consumo do analgésico.
Quer acompanhar outras atualizações sobre saúde e mercado? Visite nossa editoria em Minas Informa e continue bem-informado.
Crédito da imagem: Globalnews.ca















