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A mulher reróina e a trágica romantização da dor

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Por Deus, parem de romantizar as mulheres sobrecarregadas como EU, chamando – nos de GUERREIRAS.
Isso tem se tornado mais um peso, uma carga além.

As demandas são tantas, tantas que TODOS OS DIAS preciso me desdobrar em mil para dar conta de tudo aqui em casa e ainda trabalhar fora, cuidar dos filhos, ser produtiva, “ler um livro”, “cuidar de mim mesma” – porque tudo é questão de gerenciar o seu tempo, Lívia! Bullshit! Conversa fiada!

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Cuidar dos outros, ter multitarefas e ainda estar plena para nutrir relações, se socializar é uma grande farsa!
Se você é deveras sobrecarregada, não tem rede de apoio, não tem um companheiro que te ofereça oportunidades para que ” tenha tempo para você mesma” – perdão, mas plenitude (ainda que efêmera) passa longe de nós.

Não caiam (como eu caí) nessa cilada de “multitarefa”, de que você dá conta porque é forte, esperta e inteligente .

Essa “normalização” da sobrecarga da ‘mulher guerreira’ faz com que muitas mulheres (assim como eu) desenvolvam sérios problemas físicos, psicológicos e mentais. Síndrome de Bornout, Transtornos de Ansiedade e por aí vai.

Neste ponto exato você já não aguenta mais, não tem forças para cuidar de você e de SOBRECARREGADAS passamos a ser chamadas de SURTADAS (oras, somos humanas, né ? – isso não é claro – sobretudo para quem está próximo de nós. Então como sempre digo: ‘ o óbvio não é óbvio para todo mundo’).

E ganhando essa denominação de “sobrecarregada” muitas frases desnecessárias vêm:
– ” Sei que não está fácil para você!”;
– ” Nossa! Te entendo!”;
– ” Mas isso/ aquilo dá para você mudar, basta querer!”
– “Tenha fé. Deus está contigo.”

Blá, blá, blá!

Neste ponto, meus caros, essas frases só pioram. Poupem-nos.

É tanta coisa ao mesmo tempo que a memória está fraca, a cabeça começa a falhar e o stress toma conta junto com a culpa, a baixa autoestima, a carência, a sensação de impotência, tristeza, raiva, a saudade da mulher que um dia você foi.

Ficamos totalmente perdidas em uma enxurrada de pensamentos diversos e contraditórios.

Estamos, por fim, vivendo um momento (aqui já me incluo) em que já nem lembramos mais do que gostamos de fazer para nos divertir, nos distrair. É uma dor tão grande, um vazio tão repleto de porquês que a vontade é de DESISTIR, de sumir.

E sim, nos tornamos pessoas INSUPORTÁVEIS porque não há na face da Terra um Ser Humano capaz de aguentar esse “tranco” todo sozinho, sem ter a sanidade e a saúde fisica comprometidas.

Então eu só peço (em meu nome e de muitas que estão como eu), que parem de chamar de guerreiras/ heroínas aquelas que se encontram sobrecarregadas por AUSÊNCIA DE ESCOLHA.

Essa romantização da sobrecarga leva todos a verem nós mulheres como imbatíveis e inabaláveis. E isso não existe.

Todo mundo precisa de uma pausa, um descanso, um respiro, um COLO!

Somos humanas feitas de carne, osso e coração. E todas sangramos.

Um conselho de uma mulher no ápice da sobrecarga?
Sabem as mulheres fortes que você ama? Sabe aquela mulher forte, guerreira ou aquela amiga que está sempre ajudando todo mundo? Que É A QUE VOCÊ LIGA, MANDA MENSAGEM e CHAMA quando está com problemas, dúvidas e inseguranças?A que sempre compreende várias situações , a que parece ter a resposta pra tudo?
Que tal perguntar se ela está bem ou se precisa de algo?

Que tal ouvi-la sem julgamentos?

Quando encontrar uma mulher forte, ofereça a ela um chá, uma cadeira, um repouso e um afeto.

Ela provavelmente viveu grandes batalhas para estar aí hoje diante de você e como sempre ouvindo que vive “irradiando luz, com faíscas nos olhos e fogo nas veias”. (Como ouço isso!).

Eiiii, não se iluda! Ela estará sorrindo, denotando alegria, sendo divertida e amorosa, mesmo com muitas feridas “invisíveis” que sangram ininterruptamente e para as quais pouquíssimas pessoas se atentam.

Ah…. E não se assuste se depois de tudo que citei ela se propuser a escrever um texto para mostrar a muitas outras mulheres também ditas “guerreiras” que elas não estão sozinhas.

Com amor,

Paz & Bem!🌹

Lívia Baêta ✨😔🪷🤝

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