Ucrânia pede apoio contra Rússia em meio a foco no Irã
Ucrânia pede apoio contra Rússia em meio a foco no Irã. Em Londres, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que os regimes de Moscou e Teerã são “irmãos no ódio” e cobrou dos aliados que não deixem Kiev ser eclipsada pela nova frente de conflito no Oriente Médio.
Zelensky pressiona aliados em Londres
Recebido pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em Downing Street, Zelensky advertiu que o relaxamento temporário das sanções ao petróleo russo, adotado por Washington para conter a alta global dos preços ocasionada pela guerra no Irã, “não ajuda a paz” e reforça o caixa de Moscou. O ucraniano também se encontrou com o rei Charles III e discursou para deputados e lordes no Parlamento, destacando o uso de drones e inteligência artificial que, segundo ele, garantiu a manutenção da rede elétrica ucraniana no último inverno.
Starmer respondeu que “Putin não pode ser o beneficiado” do conflito iraniano e defendeu a manutenção da pressão sobre o Kremlin. O encontro contou ainda com a presença do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que discutiu segurança energética após os ataques russos à infraestrutura de energia da Ucrânia.
Preocupação europeia com redirecionamento de armas
Em Bruxelas, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reconheceu que a escalada no Oriente Médio tende a encarecer a energia e a redirecionar sistemas ocidentais de defesa aérea — hoje vitais para Kiev — para a região. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, avaliou que o aumento do preço do petróleo “alimenta a máquina de guerra russa”.
Analistas como Ed Arnold, do Royal United Services Institute, alertam que o estoque de mísseis antiaéreos norte-americanos já está sendo consumido no Oriente Médio, o que pode comprometer a capacidade de proteção ucraniana. François Heisbourg, da Fundação para Pesquisa Estratégica, sugeriu que Kiev negocie com países do Golfo o fornecimento de sistemas avançados em troca de sua expertise antidrones.
Drones: cooperação Reino Unido-Ucrânia
O Reino Unido assinou com Kiev um acordo para produzir drones e tecnologias inovadoras, financiando ainda um Centro de Excelência em IA ligado ao Ministério da Defesa ucraniano. Segundo o governo britânico, Rússia e Irã já cooperam nesse campo, o que exige que a Europa “eleve seu jogo” tecnológico.
Do outro lado, o Ministério da Defesa russo declarou ter derrubado 206 drones ucranianos numa única noite sobre regiões russas, Crimeia e mar de Azov, 40 deles rumo a Moscou. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou as incursões como “resistência inútil”.

Imagem: Internet
Enquanto isso, a BBC destaca que as negociações mediadas pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia permanecem suspensas desde o início dos bombardeios a Teerã em 28 de fevereiro, travando avanços para um cessar-fogo duradouro.
No Canadá, autoridades insistem na importância de continuar armando Kiev, mas a maior parte das perguntas da imprensa já se concentra no Irã, sinal do risco de erosão do apoio ocidental apontado por Zelensky.
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Crédito da imagem: Global News
















