Lucros do S&P 500 avançam e guerra no Irã ameaça ritmo
Lucros do S&P 500 avançam e guerra no Irã ameaça ritmo definem o pano de fundo para investidores em 2026. O índice entregou crescimento de 13% no lucro agregado do quarto trimestre de 2025, superando a expectativa inicial de 7% e marcando o quinto período consecutivo de expansão de dois dígitos.
Resultados sólidos, mas concentrados em poucas gigantes
Com quase todas as empresas já reportadas, 73% superaram as projeções de Wall Street. Contudo, quando se excluem Apple, Nvidia, Meta, Microsoft, Amazon, Alphabet e Tesla, o avanço do lucro por ação desacelera para 9,8%, ante 12,2% no trimestre anterior. Ou seja, o S&P 500 cresce, mas não de forma homogênea.
Na rentabilidade, a margem líquida consolidada subiu de 13,1% para 13,3%, refletindo maior eficiência operacional e o peso crescente de tecnologia e comunicação. Entre setores, o destaque foi o industrial: surpresa de lucro de 28,6% frente ao consenso, quase três vezes o registrado pelo segmento de tecnologia (8%). Já serviços básicos apresentaram a única surpresa negativa, de ‑1,6%.
Investimentos em IA elevam cautela dos acionistas
Mesmo com números robustos, o mercado adotou postura mais criteriosa diante de gastos recordes em inteligência artificial. Meta saiu na frente ao aliar forte geração de caixa em anúncios a sinais claros de monetização de IA, o que impulsionou suas ações em 10%. Já Nvidia perdeu 4% mesmo superando projeções, em meio a temores de pico de lucros e redução futura de investimentos em infraestrutura.
Tensão no Oriente Médio: impacto histórico limitado
A escalada de conflitos envolvendo Irã e aliados mantém a volatilidade, mas, historicamente, choques geopolíticos não mudam a tendência do mercado no médio prazo. Estudos como os compilados pela Reuters indicam que fundamentos econômicos costumam prevalecer após o primeiro impacto.
No caso dos Estados Unidos, a base segue sólida: o Federal Reserve aponta balanços patrimoniais saudáveis em todas as faixas de renda e endividamento das famílias de menor renda no menor nível desde 1999 (16,1%). O consumo doméstico, responsável por mais de dois terços do PIB, permanece em expansão e com baixa alavancagem.

Imagem: Marcel Zambello
Em síntese, o investidor encontra um ambiente de lucros resilientes, porém mais seletivo. O prêmio de risco associado à incerteza no Oriente Médio pode abrir oportunidades para quem focar em empresas com fluxo de caixa previsível e clareza na monetização de IA.
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Crédito da imagem: Money Times















