Reforma Tributária gera alerta fiscal em agências
Reforma Tributária gera alerta fiscal em agências de viagens, segundo especialistas que participaram do 4º Abav MeetingSP, em São Paulo. O painel reuniu o consultor Luiz Carlos Benner e o assessor jurídico Marcelo Oliveira para detalhar como o novo sistema de IBS e CBS afeta a emissão de notas, o cálculo de créditos tributários e a competitividade do setor até o fim da transição, em 2033.
Impacto imediato no turismo
Benner lembrou que o governo incluiu o turismo entre os setores com regime diferenciado, concedendo redução de 40% na alíquota. Apesar do alívio inicial, o consultor advertiu que a adoção do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) exigirá controles internos mais robustos para separar receita própria de valores repassados a fornecedores.
Desafios operacionais
Oliveira destacou que a uniformização tributária elimina divergências municipais, mas cria novas obrigações documentais. Entre elas, a emissão do bilhete de passagem eletrônica, cuja integração tecnológica ainda não está pronta. “Estamos diante de exigências que prefeituras e estados não conseguem validar hoje”, disse.
Gestão de créditos e despesas
Contas de energia, internet, marketing e aluguel passam a influenciar diretamente a apuração de créditos e débitos. Benner alertou: “Não caiam no jogo do contador malandro; mantenham cada despesa no CNPJ para simular corretamente o crédito”. O consultor frisou que até empresas do Simples Nacional precisam avaliar se vale migrar para um regime híbrido, de olho na competitividade.
Risco competitivo
Para clientes corporativos, o crédito tributário virou fator decisivo. “Seu cliente já calcula quanto ganhará em créditos; se você ficar no Simples, pode perder mercado”, advertiu Oliveira. Agências que se antecipam, segundo ele, tendem a capturar vantagem competitiva quando o novo modelo estiver plenamente vigente.

Imagem: Matheus Alves
Possível aumento de carga
Questionados sobre o custo final, os palestrantes foram cautelosos. Benner disse que “pouquíssimos setores verão redução efetiva”, enquanto Oliveira lembrou que a tendência macroeconômica aponta alta na carga sobre serviços, mesmo com o redutor. Em síntese, o painel concluiu que a Reforma Tributária traz ganhos de clareza, mas exige preparo para evitar aumento de custos.
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Crédito da imagem: Matheus Alves/Brasilturis















