Doutrina Monroe: Trump promete reativar princípio histórico
Doutrina Monroe: Trump promete reativar princípio histórico é o eixo de uma nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, divulgada na semana passada, que pretende recolocar Washington como potência dominante no Hemisfério Ocidental.
Doutrina Monroe: Trump promete reativar princípio histórico
No documento, a Casa Branca afirma que, “após anos de negligência”, irá reafirmar e fazer cumprir a Doutrina Monroe, proclamada em 1823 pelo então presidente James Monroe. O texto original, redigido pelo secretário de Estado John Quincy Adams, advertia as potências europeias contra novas colonizações nas Américas e passou a simbolizar a procura dos EUA por influência regional.
A equipe de Donald Trump adicionou um “Corolário Trump” que prioriza ações conjuntas para frear migração em massa, tráfico de drogas e a presença de nações consideradas hostis na posse de ativos estratégicos latino-americanos. As diretrizes incluem operações navais contra barcos suspeitos no Caribe — que já resultaram em quase 90 mortes desde setembro — e o reforço militar próximo à Venezuela.
Historicamente, a Doutrina Monroe foi reinterpretada por diferentes governos. Em 1904, Theodore Roosevelt emitiu seu corolário, permitindo intervenções a fim de manter a ordem e a solvência financeira de países vizinhos, política apelidada de “diplomacia do canhão”. Nos anos 1930, Franklin D. Roosevelt adotou a “Boa Vizinhança”, suspendendo ocupações. Durante a Guerra Fria, porém, o princípio ressurgiu para conter o comunismo, culminando em golpes apoiados pelos EUA, como o de 1954 na Guatemala e o apoio à ditadura de Pinochet no Chile.
Em 2013, o então secretário de Estado John Kerry declarou “o fim da Doutrina Monroe”, sinalizando distensão com a América Latina. Agora, ao prometer restaurá-la, Trump retoma a postura “América Primeiro”, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth. A iniciativa também se manifesta no anúncio de um pacote de US$ 20 bilhões para a Argentina e no alinhamento com o presidente Javier Milei, visto como contrapeso a líderes de esquerda, como Luiz Inácio Lula da Silva.
Especialistas alertam para a retomada da “diplomacia do canhão”. O professor Max Cameron, da Universidade da Colúmbia Britânica, avalia que há “horror” em vários países diante da ideia de que o Caribe volte a ser tratado como “lago americano”. Já pesquisadores como Alejandro Garcia Magos, da Universidade de Toronto, veem na aliança Trump-Milei a chance de Washington reconquistar influência perdida nas últimas décadas.

Imagem: Sean Boynt Global Ne
Segundo a Enciclopédia Britannica, a aplicabilidade da Doutrina Monroe sempre dependeu da capacidade militar dos EUA, elemento que o governo Trump promete fortalecer.
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Crédito da imagem: Global News















