Gaby Soares no OnlyFans expõe machismo no futebol feminino
Gaby Soares no OnlyFans expõe machismo no futebol feminino ao anunciar que usará a plataforma para divulgar treinos e bastidores do Cruzeiro, gesto que provocou uma onda de comentários preconceituosos nas redes sociais.
Reação nas redes comprova estigma de sexualização
A capitã celeste revelou que a assinatura do perfil custará US$ 10 (cerca de R$ 53) e que o conteúdo será restrito à rotina esportiva. Mesmo assim, torcedores ironizaram a iniciativa, sugerindo que a jogadora lucraria apenas com material adulto. Entre as mensagens, houve quem pedisse “protesto na Toca” e quem afirmasse que “ninguém paga para ver treino de roupa”.
Criado em 2016, o OnlyFans foi pensado para monetizar a produção de influenciadores, mas ganhou fama pela presença de pornografia. De acordo com a jornalista e pesquisadora Rafaela Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), essa reputação alimenta a expectativa de que mulheres atletas disponibilizem o corpo para consumo sexualizado. “O machismo aparece quando ela precisa se justificar o tempo todo, algo que não ocorre com homens”, analisa.
Tratamento desigual entre atletas
Casos de esportistas masculinos na plataforma, como o surfista Pedro Scooby e o atacante Douglas Costa, passaram quase despercebidos. Já no exterior, nomes como Jack Laugher e Jonathan dos Santos também compartilham bastidores do esporte sem reações negativas semelhantes. A diferença, segundo Rafaela, demonstra como o jornalismo esportivo brasileiro ainda constrói manchetes buscando cliques, perpetuando a visão sexualizada do futebol feminino.
Embora não seja pioneira entre mulheres atletas — a jogadora de vôlei Key Alves usa o site desde a pandemia para complementar renda —, Gaby Soares enfrenta resistência maior. Alves declarou apoio à cruzeirense: “Nosso esporte não é valorizado, então uso o OnlyFans e não me arrependo”.
Impacto no desenvolvimento do futebol feminino
Especialistas defendem que a cobertura midiática deve priorizar desempenho e condições de trabalho das atletas, evitando reforçar estereótipos. Reportagem da BBC mostra que desigualdade salarial e falta de patrocínio são obstáculos recorrentes, levando jogadoras a buscar novas fontes de renda.

Imagem: Gustavo Martins
No Cruzeiro, a iniciativa de Gaby pode aproximar torcedores e evidenciar o dia a dia das “Cabulosas”, mas também expõe o caminho ainda longo para que o futebol feminino seja visto além dos preconceitos.
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Crédito da imagem: Gustavo Martins/Cruzeiro















