Ouro supera US$ 3.500 e renova recorde histórico
Ouro supera US$ 3.500 por onça-troy pela primeira vez na história nesta terça-feira (2), refletindo o avanço dos rendimentos de títulos soberanos nos Estados Unidos e na Europa, além da crescente procura por ativos de proteção.
Ouro supera US$ 3.500 e renova recorde histórico
Pela manhã, o contrato futuro mais líquido, com vencimento em dezembro, alcançou máxima intradiária de US$ 3.595,00. No encerramento da sessão na Comex, divisão de metais da Nymex, o preço recuou levemente, mas ainda fechou no recorde de US$ 3.592,20, avanço diário de 2,16%.
Com o desempenho desta terça-feira, o metal acumula valorização superior a 34% em 2025. A escalada também contaminou a prata, que encerrou a US$ 41,59 por onça-troy, maior cotação em 14 anos, após ganho de 2,13%.
Pressões internas nos EUA impulsionam o metal
Nos Estados Unidos, investidores adotam postura defensiva diante das incertezas fiscais e da turbulência em torno da independência do Federal Reserve (Fed). Na semana passada, o presidente Donald Trump demitiu a diretora do banco central Lisa Cook sob alegações de irregularidades, movimento contestado judicialmente pela economista.
A instabilidade fortalece as apostas de corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para 17 de setembro. Ferramenta FedWatch, do CME Group, atribui 91,7% de probabilidade a esse cenário. A expectativa de juros mais baixos enfraquece o dólar — a moeda já recuou 11% desde o início do mandato de Trump —, fator que torna o ouro mais atrativo para investidores que operam com outras divisas, explica Ricardo Evangelista, analista da ActivTrades, à Reuters.
Europa e tensões geopolíticas elevam demanda por segurança
Na Europa, o rendimento do Gilt britânico de 30 anos tocou o nível mais alto desde 1998, impulsionado pela percepção de inflação ainda resistente no Reino Unido. Na França, o anúncio de corte de € 44 bilhões em gastos para reduzir o déficit mantém o clima de cautela. Paralelamente, conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia ampliam o apetite por metais preciosos, sobretudo entre bancos centrais.
Imagem: Liliane de Lima
Próximos passos do mercado
Analistas alertam que novas máximas não estão descartadas caso o Fed confirme o ciclo de afrouxamento monetário ou se as tensões geopolíticas se intensificarem. Já uma eventual surpresa hawkish do banco central poderia desencadear correção de curto prazo, mas sem reverter, por ora, a tendência de alta do ouro em 2025.
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Crédito da imagem: Freepik/Wirestock















