Spicomellus afer: fósseis revelam armadura singular
Spicomellus afer: fósseis revelam armadura singular é a expressão que resume a nova pesquisa divulgada na revista Nature, confirmando que o anquilossauro do Jurássico Médio era ainda mais peculiar do que se pensava.
Spicomellus afer: fósseis revelam armadura singular
O estudo, publicado nesta quarta-feira (27), descreve um conjunto de restos ósseos encontrados em Boulemane, no Marrocos, que situam o dinossauro há cerca de 165 milhões de anos. O Spicomellus afer ostentava uma combinação inédita de adaptações: cauda equipada com clava, colar ósseo envolvendo o pescoço e espinhos laterais que alcançavam até um metro.
Segundo a paleontóloga Susannah Maidment, do Museu de História Natural de Londres, a presença de uma arma na cauda 30 milhões de anos antes de outros anquilossauros altera a narrativa evolutiva do grupo. “Encontrar tamanha elaboração em um exemplar primitivo revoluciona nossa compreensão”, comentou a pesquisadora em nota.
Os fósseis indicam que os espinhos estavam fundidos às costelas, formando uma armadura contínua inédita entre vertebrados conhecidos. Alguns mediam 87 centímetros, mas a equipe acredita que, em vida, poderiam ser ainda maiores. Estruturas similares cobriam quadris e ombros, compondo um visual que, de acordo com os autores, servia tanto para atrair parceiros quanto para intimidar rivais.
Richard Butler, coautor da pesquisa, disse que analisar os ossos foi “arrebatador”, pois o dinossauro rompe padrões observados em parentes posteriores, que evoluíram armaduras mais simples voltadas apenas para defesa. Os dados reforçam a importância dos fósseis africanos, frequentemente sub-representados em coleções científicas globais.
Preparados na Faculdade de Ciências Dhar El Mahraz, em Fez, com apoio da Universidade de Birmingham, os materiais foram catalogados para estudos futuros. Detalhes completos do trabalho podem ser conferidos na revista Nature, referência internacional em publicações científicas.
Imagem: Matthew Dpsey
O achado destaca como as primeiras formas de anquilossauros já experimentavam recursos complexos de proteção e exibição, antecedendo adaptações populares no Cretáceo. A descoberta também evidencia a necessidade de explorar mais formações do norte da África, região que guarda fósseis capazes de recontar a distribuição geográfica dos dinossauros.
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Crédito da imagem: Matthew Dempsey / Maidment et al., Nature, 2025
















