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Resumo:
O avanço de um surto de sarampo nos Estados Unidos e o alerta emitido pela OPAS colocaram as autoridades de saúde em atenção. Diante do alto poder de transmissão do vírus, especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal e mais eficaz barreira de proteção contra a doença e suas graves complicações.
Infectologista explica formas de transmissão, principais sintomas, complicações e importância de manter o esquema vacinal atualizado
Minas Gerais – Outubro de 2026. O avanço de um surto de sarampo em Nova York levou o estado norte-americano a decretar situação de emergência por desastre, ampliando a mobilização das autoridades de saúde para conter a doença. Até o dia 3 de outubro, Nova York havia registrado 108 casos de sarampo em 2026, sete na cidade de Nova York e 101 em outras regiões do Estado.
Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais preocupante, o país vive o pior ano para a doença desde 1991, com cerca de 3.900 casos notificados, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A infectologista e professora da Afya São João del Rei, Dra. Janaína Teixeira, explica que o sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus da família dos paramixovírus.
“É um vírus de transmissão respiratória, ou seja, a principal forma de contágio acontece de uma pessoa para outra por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir, gritar ou espirrar. É uma doença altamente transmissível, considerada uma das infecções com maior capacidade de disseminação. Estima-se que uma pessoa infectada possa transmitir o vírus para até outras 18 pessoas que não estejam vacinadas ou protegidas”.
Em agosto deste ano, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um pedido aos países das Américas para reforçar e ampliar a vacinação. O retorno do sarampo em países que anteriormente haviam controlado a circulação do vírus reforça a importância da vacinação como principal ferramenta de proteção.
De acordo com a especialista, os sintomas do sarampo geralmente começam com febre alta, acompanhada de um quadro semelhante ao de uma gripe, com coriza, nariz escorrendo, tosse seca e, em alguns casos, conjuntivite. Depois, surgem as manchas no corpo, que são avermelhadas e mais espessas.
“As manchas costumam começar no rosto e no tronco e, posteriormente, evoluem para os membros. Esse tipo de lesão é chamado de exantema craniocaudal, pois se espalha de cima para baixo. A doença também pode apresentar complicações, como encefalite, que é uma infecção do sistema nervoso central, pneumonias e, em casos mais graves, pode levar até ao óbito”, complementa a médica.
Vacinação em dia e diagnóstico
Dados da OPAS mostram que a maioria esmagadora dos casos registrados nas Américas ocorre entre indivíduos não vacinados ou sem comprovação do esquema vacinal completo. Dra. Janaína Teixeira comenta que é muito importante que a população esteja com a vacina contra o sarampo em dia. Pessoas com até 29 anos de idade devem ter pelo menos duas doses da vacina registradas na carteirinha de vacinação. Já as pessoas com mais de 30 anos devem ter pelo menos uma dose documentada para estarem protegidas contra o sarampo.
“O diagnóstico do sarampo é feito por meio de exames laboratoriais específicos. Podemos realizar um exame de sangue, a sorologia para o sarampo, que permite detectar um anticorpo chamado IgM, associado a uma infecção recente ou aguda.Também podemos pesquisar o material genético do vírus nas vias aéreas do paciente, por meio daquele swab, semelhante ao que é utilizado para fazer a coleta pelo nariz nos exames para COVID e influenza. Nesse caso, procuramos o material genético do vírus do sarampo”, conclui a docente da Afya São João del Rei.

















