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Outubro Rosa: 70% das jovens diagnosticadas com câncer de mama no SUS chegam ao tratamento em estágio avançado

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Resumo:

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Dados recentes alertam para o diagnóstico tardio de câncer de mama em mulheres jovens, com alta incidência de casos avançados entre os 20 e 39 anos. Especialistas reforçam a importância do autocuidado, da atenção a qualquer alteração corporal e da detecção precoce para ampliar as chances de cura.

 Estudo aponta diagnóstico tardio entre mulheres de 20 a 29 anos; especialista alerta para a importância da detecção precoce e do autocuidado.

Minas Gerais – Outubro de 2026. O Outubro Rosa, movimento global dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, acende um alerta com novos dados sobre a doença no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a previsão é de 78.610 novos diagnósticos por ano entre 2026 e 2028.

Dados do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama no SUS, elaborado pelo Observatório de Oncologia, divulgado neste mês, mostram que 70% das mulheres de 20 a 29 anos diagnosticadas com câncer de mama chegam ao serviço público já nos estágios 3 ou 4, considerados avançados.

O oncologista e professor da Afya Faculdade de Medicina de Itajubá, Dr Gerson Yoshinari, comenta que nas mulheres mais jovens, existe um desafio uma vez que o câncer de mama é menos comum nessa idade, uma alteração pode ser atribuída a mudanças hormonais ou simplesmente deixada para depois.

“Descobrir cedo faz muita diferença. Quando o câncer de mama é encontrado no início, a chance de cura costuma ser maior e, muitas vezes, conseguimos oferecer tratamentos menos pesados, com menos efeitos indesejados e menor impacto na vida da mulher. O tratamento também evoluiu muito nos últimos anos, hoje conhecemos melhor os diferentes tipos da doença e contamos com cirurgias, radioterapia e medicamentos cada vez mais adequados para cada paciente. Com isso, muitas mulheres são curadas e seguem a vida normalmente após o tratamento”.

Entre mulheres de 30 a 39 anos, 62,7% dos diagnósticos ocorreram nos estágios 3 ou 4. Na faixa de 40 a 49 anos, o percentual foi de 54,6%. Já entre 50 a 69 anos, grupo contemplado com o exame de rotina, a proporção caiu para 47,9%.O médico destaca que a principal orientação é simples: percebeu uma mudança na mama ou na região da axila que não estava ali antes ou que não melhora? Procure um médico.

“Pode ser um caroço, mudança no tamanho ou formato da mama, uma parte da pele puxada para dentro, vermelhidão persistente, ferida que não cicatriza ou alteração no bico do peito, como saída de líquido sem apertar. Mas é importante lembrar que perceber uma alteração não significa que seja câncer. Existem muitas outras causas, e não é possível descobrir a origem apenas olhando ou apalpando em casa. Por isso, diante de uma mudança, o melhor caminho é procurar um médico e esclarecer a dúvida”.

Em 2025, o câncer de mama vitimou 21.668 mulheres no país, atingindo o maior número absoluto de mortes da série histórica. O número representa um crescimento expressivo de 39% na comparação com o total registrado em 2015, elevando a taxa bruta de mortalidade de 14,8 para 19,5 óbitos a cada 100 mil mulheres,  índice que se mantém em patamar elevado e praticamente estável desde 2022, refletindo em parte o envelhecimento populacional brasileiro.

Dr Gerson Yoshinari explica que alguns fatores de risco não estão nas nossas mãos, como a idade, a história da família e algumas características que herdamos dos nossos pais. Mas existe muita coisa que pode ser realizada para cuidar melhor da saúde e evitar o câncer de mama.

“Manter uma vida ativa, fazer exercícios, cuidar do peso, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e evitar o excesso de bebida alcoólica são atitudes que ajudam a diminuir o risco de câncer de mama e também de várias outras doenças. Por isso, o convite do Outubro Rosa vai além da mama, cuide de você por inteiro, faça seus acompanhamentos, converse com seu médico, mantenha seus exames em dia e não tenha medo de perguntar quando perceber alguma coisa diferente”, conclui o docente da Afya Itajubá.

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