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Nike fora do S&P 100: erros estratégicos colocam marca no ‘corner’ do mercado

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Em análise sobre a crise da Nike, o economista Charles Mendlowicz detalha a perda de espaço no varejo, o avanço de concorrentes como On e HOKA e a saída do índice que reúne 100 das maiores e mais consolidadas companhias do S&P 500

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A Nike (NYSE: NKE), uma das marcas mais valiosas do planeta, enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história. Com uma queda acentuada em suas ações, culminando na remoção do índice S&P 100 no dia 21 de setembro após quase 18 anos, a companhia lida com o descontentamento de investidores, a perda do craque Kylian Mbappé para a rival On e os impactos de uma guinada que abriu brechas para concorrentes no mercado de wellness.

O clima de incerteza se reflete no topo da liderança: em uma reunião geral com os funcionários realizada no fim de março, o CEO da empresa, Elliot Hill, desabafou sobre o desgaste da reestruturação: “Estou tão cansado, e sei que vocês também estão, de falar sobre consertar este negócio. Quero passar a inspirar e impulsionar o crescimento e me divertir”.

Aposta no modelo de venda direta foi ‘tiro pela culatra’

 

Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero,  explica que para entender como uma gigante se viu sob pressão de margens e excesso de estoques, é preciso retornar à decisão de priorizar a venda direta ao consumidor (direct-to-consumer – DTC), que engloba as lojas físicas próprias e o e-commerce. “A estratégia visava rentabilidade via canais próprios, reduzindo o volume enviado a grandes redes varejistas”, detalha o economista.

Embora a receita do canal direto tenha saltado de US$ 3,2 bilhões em 2011 para US$ 16,4 bilhões em 2021, o abandono dos pontos físicos multimarcas criou um vácuo. “Imagine que existe uma loja de esportes, todo mundo vai nela e encontra itens de marcas diversas. A Nike decidiu tirar parte dos produtos das prateleiras dessa loja. Tinha que ser muito inocente para achar que ninguém ocuparia esse espaço”, avalia Mendlowicz.

Sem a presença maciça da Nike nas vitrines, rivais emergentes e tradicionais conquistaram terreno. Marcas como HOKA, On, Adidas e New Balance abocanharam a preferência do público. “A Nike deixou de ser aquela marca que as pessoas falavam ‘Tenho dinheiro, vou comprar um Nike’. Enquanto essas marcas estavam crescendo, a Nike começou a ser deixada para trás por escolha própria”, pontua o Economista Sincero.

O movimento resultou em estoques acumulados e em uma queda de 49,72% nas ações no acumulado de 12 meses, abalando a estrutura de capital da companhia.

Mudança nos hábitos do consumidor é desafio para reação da Nike

 

A crise ocorre paralelamente a uma transformação nos hábitos do consumidor. O esporte (em especial a corrida de rua, que cresceu 85% no Brasil em 2025 segundo um levantamento da ABRACEO) tornou-se um estilo de vida no qual praticantes priorizam tecnologia e conforto em vez do peso do logotipo.

Uma análise da Morgan Stanley Research aponta inclusive um catalisador inusitado para essa virada: a ascensão dos medicamentos para emagrecer à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, com perspectiva de que este mercado alcance a marca de US$ 105 bilhões até 2030. Charles Mendlowicz avalia que “a busca por hábitos saudáveis impulsionou novatos ao esporte, e marcas como Lululemon, ALO, On e HOKA capturaram essa demanda com agilidade”.

A perda de terreno no futebol também contribui para a crise. O fim do contrato com Mbappé (que foi para a On após duas décadas de parceria) simboliza a perda de atratividade da marca para novos expoentes do esporte.

Apesar dos tropeços, analistas destacam que a empresa preserva ativos valiosos, como parcerias vitalícias com Michael Jordan e Ronaldo Fenômeno, além de forte apelo global. Contudo, o retorno ao topo exigirá rever o relacionamento com varejistas e responder rápido às tendências. “A Nike ainda está no ‘corner’ apanhando da concorrência e, para sair, precisa voltar a invadir as lojas de departamento e entrar nos novos eventos esportivos”, conclui Charles Mendlowicz.

Sobre o Economista Sincero

 

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir” e da recém-lançada obra “As 18 leis do dinheiro”. Reconhecido pela abordagem direta e transparente, consagrou-se como uma referência no mercado: foi eleito quatro vezes o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA e apontado como uma das 30 principais vozes de Finanças e Economia do país pelo Estudo Pulso 2026/2027 da FSB Holding.

 

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