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Especialista alerta no Agosto Dourado: sofrimento na amamentação não deve ser encarado em silêncio
Queixas como fissuras mamárias, dores contínuas e a dúvida sobre a produção de leite são comuns no início do aleitamento materno. No entanto, encarar essas dificuldades com sofrimento e sem assistência adequada não deve ser o caminho. O alerta é da médica ginecologista e obstetra Gisele Maciel, mestre em Saúde da Criança e da Mulher, em alusão ao Agosto Dourado — mês oficial de incentivo à amamentação no Brasil.
De acordo com a profissional, a maioria dos entraves iniciais é sanada por meio da observação presencial da mamada por um especialista, o que permite corrigir gargalos na técnica.
O processo de aleitamento: naturalidade não significa ausência de desafios
Existe uma falsa expectativa de que o aleitamento ocorra de forma automática logo após o nascimento. A médica enfatiza que a realidade das mães costuma ser diferente desse cenário idealizado.
“Natural não é sinônimo de fácil. Acho que esse é o primeiro ponto que precisamos deixar claro”, pontua Gisele Maciel.
Nos primeiros dias pós-parto, a dupla mãe-bebê passa por uma fase de adaptação mútua. Enquanto a mulher enfrenta a recuperação física e a privação de sono, o recém-nascido precisa alinhar a sucção, a deglutição e a respiração na pega correta.
Diversos fatores podem dificultar o início da amamentação:
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Prematuridade do recém-nascido;
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Afastamento entre mãe e filho logo após o nascimento;
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Incorreção na pega do mamilo;
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Ingurgitamento da mama e quadros dolorosos;
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Demora na descida do leite;
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Condições anatômicas ou clínicas específicas da mãe ou da criança.
Diante desses gargalos, a obstetra reforça que a conduta adequada não é apenas exigir resiliência da mulher, mas sim investigar o quadro individualmente para oferecer suporte técnico.
Mitos e sinais de alerta: fissuras, dores e percepção de leite insuficiente
A sensibilidade nos primeiros dias difere da dor persistente. Para a especialista, ferimentos, sangramentos e dores fortes em todas as mamadas não representam etapas obrigatórias do processo. Geralmente, quando o bebê abocanha apenas o mamilo em vez da aréola, ocorre a lesão na pele e a remoção ineficiente do leite. A correção da pega é a solução primária, superando a eficácia de tópicos ou pomadas.
Sobre a insegurança quanto à quantidade de leite, a médica esclarece que o padrão inicial do recém-nascido é mamar volumes reduzidos de colostro em intervalos curtos. A constatação de pouca produção exige análise clínica ampla, observando o comportamento do bebê, transferência de leite, ganho de peso e frequência de fraldas sujas.
Nos casos em que o uso de fórmula infantil é indicado, a orientação deve ocorrer sem culpabilização, protegendo a saúde da criança e sem significar o término do aleitamento.
Mapeamento de sintomas: quando buscar assistência técnica
A avaliação de um profissional de saúde deve ser feita ao notar os seguintes sinais:
Sintomas na mãe
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Dor constante durante as mamadas;
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Presença de sangramentos ou fissuras;
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Enrijecimento e dores intensas nas mamas;
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Manchas avermelhadas, calor local ou dor focal no peito;
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Quadros febris persistentes ou mal-estar acentuado;
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Esgotamento físico, angústia e medo do momento da amamentação.
Sintomas no bebê
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Sonolência excessiva que impede o despertar para mamar;
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Dificuldade de fixação na pega ou soltura constante da mama;
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Redução acentuada na eliminação de urina (sinais de desidratação);
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Icterícia acentuada;
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Ganho de peso abaixo da curva esperada.
Em Belo Horizonte, o suporte gratuito pode ser encontrado nas maternidades de nascimento, unidades básicas de saúde (UBS) e nos bancos de leite humano.
Acolhimento prático e eliminação da culpa
A médica pondera que o incentivo à amamentação não deve se transformar em pressão sobre a mulher. A decisão ou impossibilidade de amamentar — por fatores clínicos, medicamentosos ou escolha pessoal — precisa ser respeitada.
A preparação deve começar ainda no pré-natal, munindo a gestante de informações reais sobre a rotina com o recém-nascido e os locais de apoio disponíveis.
Por fim, a rede de apoio familiar desempenha papel prático no cotidiano. Ajudar de verdade envolve tarefas concretas, como cuidar da alimentação da casa, oferecer água à mãe, trocar as fraldas da criança e garantir momentos de descanso para a mulher.

















