Transgênico não autorizado em farelo de soja preocupa UE
Transgênico não autorizado em farelo de soja foi detectado em quatro remessas argentinas e duas brasileiras que chegaram à Holanda, principal porta de entrada de insumos agropecuários na União Europeia (UE). O alerta levou à retirada de pelo menos três lotes do mercado europeu e reacendeu dúvidas sobre a conformidade dos maiores exportadores do produto para o bloco.
Transgênico não autorizado em farelo de soja preocupa UE
De acordo com o Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações da Comissão Europeia (RASFF), as notificações foram registradas entre 11 de fevereiro e 27 de abril. Três lotes argentinos (19 de março e 17 de abril) e um brasileiro (11 de fevereiro) foram recolhidos; já as cargas sinalizadas em 14 e 22 de abril resultaram apenas em comunicação às autoridades competentes. O caso mais recente, datado de 27 de abril, ainda aguarda decisão.
O Ministério da Agricultura da Argentina contestou oficialmente o protocolo de detecção aplicado pelos laboratórios holandeses, alegando “sérios questionamentos” sobre a metodologia usada para identificar o evento HB4, desenvolvido pela empresa de biotecnologia Bioceres e ainda não aprovado na UE. A Câmara de Industriais de Óleos e Cereais da Argentina (CIARA-CEC) sustenta que o teste pode ter gerado falsos positivos por não adotar o método patenteado pela desenvolvedora.
A UE importou 9,9 milhões de toneladas de farelo de soja do Brasil e 6,9 milhões de toneladas da Argentina na safra 2024/25, volumes que colocam os dois países muito à frente do terceiro maior fornecedor, a Ucrânia. Qualquer ampliação das restrições pode redirecionar a demanda europeia para origens como Estados Unidos e Ucrânia, pressionando preços globais. Em abril, os futuros norte-americanos de farelo de soja atingiram o maior nível desde outubro de 2024, movimento que analistas relacionam tanto à oferta ajustada quanto à alta da soja para biocombustíveis.
O tema dos organismos geneticamente modificados segue sensível na Europa: apesar de o bloco autorizar a alimentação animal com OGMs aprovados, características voltadas à tolerância à seca, como a HB4, permanecem proibidas. Detalhes sobre o volume das cargas barradas não foram divulgados, mas o incidente reforça a vigilância dos importadores sobre a rastreabilidade de cada lote.

Imagem: Reuters
Segundo o RASFF, da Comissão Europeia, novas análises podem ser feitas se fornecedores contestarem os resultados iniciais, procedimento que, na prática, pode atrasar embarques e encarecer os custos logísticos.
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Crédito da imagem: Reuters















