Preço da gasolina não deve cair logo após guerra no Irã
Preço da gasolina não deve cair logo após guerra no Irã. Especialistas alertam que, mesmo que um cessar-fogo seja alcançado, o consumidor brasileiro poderá esperar semanas ou até meses para sentir alívio no bolso.
Conflito mantém mercado de petróleo instável
Desde o início da ofensiva iraniana, há cerca de um mês, os valores do petróleo dispararam e chegaram a aproximar-se de US$ 120 o barril. Hoje, os contratos são negociados em torno de US$ 90, mas a volatilidade permanece alta. Cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo passa pelo estratégico Estreito de Ormuz, ponto que Teerã ameaça bloquear para navios ligados aos Estados Unidos e a Israel.
Jon Allen, pesquisador sênior do Bill Graham Centre for Contemporary International History da Universidade de Toronto, afirma que “se houver negociação, ela levará tempo”. Ele aconselha: “Quem estiver com o tanque vazio deve abastecer agora, porque não veremos resolução em poucos dias”.
Lag econômico pode prolongar preços altos
Trevor Tombe, professor de Economia da Universidade de Calgary, explica que pequenas variações de oferta geram grandes saltos de preço. “Os mercados de energia são notoriamente sensíveis. Às vezes um único tuíte de um presidente movimenta tudo”, lembra. Segundo o economista, mesmo com recuo do barril, há efeito retardado sobre o preço final nos postos: “Para alimentos, o repasse leva de seis a nove meses; para combustíveis, varia, mas não é imediato”.
A rejeição de Teerã à proposta de cessar-fogo dos EUA e o envio adicional de mil soldados norte-americanos ao Oriente Médio reforçam o clima de incerteza. Allen observa que Irã, Estados Unidos e Israel “estão muito distantes” de um acordo, o que posterga a reabertura total do Estreito de Ormuz.
O que esperar nas próximas semanas
Na melhor das hipóteses, um cessar-fogo reduziria gradualmente o valor do barril, mas o consumidor só veria diferença significativa após a normalização da logística e dos estoques globais. “Se o petróleo voltasse ao patamar anterior, evitaríamos novos aumentos, mas ninguém prevê isso no curto prazo”, resume Tombe.

Imagem: Internet
Para entender como a oferta global impacta o seu bolso, consulte a análise da Agência Internacional de Energia, órgão de referência no setor.
No cenário atual, a recomendação é monitorar o noticiário internacional e manter atenção às variações diárias nos postos. Quer acompanhar outros desdobramentos sobre economia e consumo? Visite a editoria de Brasil e siga informado.
Crédito da imagem: Globalnews.ca
















