Turistas internacionais no Brasil: recorde 2025 contestado
Turistas internacionais no Brasil: recorde 2025 contestado é o ponto de partida para um debate sobre transparência estatística. O Ministério do Turismo (MTur) e a Embratur anunciaram 9,3 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, alta de 37,1% frente a 2024. Especialistas, porém, cobram explicações sobre a metodologia e o impacto econômico efetivo.
Governo celebra marca histórica
Segundo o MTur, o resultado reflete campanhas de promoção no exterior, ampliação da conectividade aérea e melhoria da infraestrutura. O volume, se confirmado, ultrapassa o recorde anterior de 2018. A pasta sustenta que o cálculo utiliza registros migratórios da Polícia Federal, aplicando filtros definidos nas Recomendações Internacionais para Estatísticas da ONU Turismo.
Metodologia sob questionamento
Mariana Aldrigui, professora da USP, admite que o crescimento é possível, mas observa que cerca de 27% do total corresponde a brasileiros residentes no exterior, o que reduziria o número de estrangeiros efetivos para algo próximo de 7 milhões. Ela critica a falta de divulgação dos dados brutos e cita o “caso Venezuela”: entradas saltaram de 8,6 mil, em 2024, para 169,3 mil em 2025, discrepância não verificada nos registros da Polícia Federal. “Sem abertura metodológica, qualquer salto extraordinário passa a ser suspeito”, resume.
Hotelaria confirma alta, porém menor
Na Atlantica Hospitality International, o volume de hóspedes estrangeiros subiu 5,6% em 2025 (12,4% nos resorts de lazer), muito aquém do avanço oficial. No Transamerica Executive Paulista, em São Paulo, a alta variou de 21% a 25%, impulsionada por eventos como GP de Fórmula 1 e The Town. Já o Radisson Oscar Freire registrou crescimento constante graças à mudança de marca e a programas de fidelidade, mas igualmente distante dos 37,1% divulgados pelo governo.
Impacto econômico ainda indefinido
Associações como FOHB e ABIH afirmam não possuir, até o momento, indicadores consolidados de ocupação e diária média para verificar o suposto recorde. No Rio, o sindicato HotéisRio confirma aumento de hóspedes internacionais, mas alerta para variações conforme destino e mix de mercados emissores. Aldrigui defende cruzamento de dados de emprego, arrecadação e longevidade de empresas para comprovar se o turismo internacional atua como vetor de desenvolvimento.

Imagem: Internet
Para 2026, a projeção é de manutenção ou leve alta, sustentada por novos eventos e malha aérea expandida. Especialistas, contudo, reforçam que a sazonalidade e a dependência de mercados vizinhos exigem estratégia de longo prazo e maior rigor na coleta de estatísticas.
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Crédito da imagem: Brasilturis















