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Guerra no Irã: Refugiados apostam na queda do regime

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Guerra no Irã: Refugiados apostam na queda do regime

Guerra no Irã entra na terceira semana e reacende a esperança de exilados como o jornalista curdo Wyra Hassan e o ativista Ali Rezaei Majd, que veem no conflito a oportunidade de pôr fim ao regime islâmico que os perseguiu.

Guerra no Irã: Refugiados apostam na queda do regime

Wyra Hassan, preso por 102 dias em um centro de detenção em Sanandaj, oeste iraniano, soube que o local foi destruído por bombardeios iniciados em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel. Para ele, a demolição simboliza o possível colapso de um Estado que, desde 1979, reprime dissidentes com violência.

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Nascido três anos após a Revolução Islâmica, Hassan foi detido em 2006 sob acusação de organizar um ato do Dia Internacional da Mulher. Torturado, recebeu liberdade condicionada ao exílio e ao silêncio. Recusou-se. Fugiu para Sulaymaniyah, no Curdistão iraquiano, onde hoje dirige a Fundação Cultural Jamal Erfan, instalada justamente em um antigo centro de tortura de Saddam Hussein. Nas estantes, obras em língua curda desafiam a política iraniana de suprimir a identidade desse grupo minoritário.

Hassan teme que, se os aiatolás resistirem, “o Irã será como um carro que precisava de motor novo e ganhou apenas um pneu”. Segundo ele, a permanência do regime significará repressão ainda mais severa tanto contra ativistas internos quanto contra países vizinhos, alvo de centenas de mísseis e drones da Guarda Revolucionária.

A 150 quilômetros dali, em Erbil, Ali Rezaei Majd revê o vídeo de menos de dois minutos que mudou sua vida. Gravado em 6 de janeiro nas linhas férreas de Dorud, o clipe viralizou no Instagram, superando 800 mil curtidas. Nele, Majd, cristão e dono de uma academia, pedia aos Estados Unidos que “trouxessem luz” ao Irã. Dias depois, soube que agentes de segurança o procuravam; cruzou clandestinamente a fronteira para o Iraque.

Majd afirma que o tuíte de 2 de janeiro do presidente Donald Trump — “locked and loaded” contra qualquer massacre de manifestantes — o encorajou. Mesmo agora, com Washington focado em degradar a capacidade nuclear e militar iraniana, ele acredita que os religiosos “lutarão até a morte” para se manter, mas que a sociedade está pronta para retomar o país.

Enquanto baixas militares se acumulam, líderes clericais mantêm o controle político. O governo norte-americano projetou no domingo que a ofensiva pode terminar “nas próximas semanas”, mas não garantiu mudança de regime — cenário que inquieta Hassan e Majd.

Segundo especialistas citados pela BBC, uma transição instável poderia agravar a crise humanitária e deslocar ainda mais civis para regiões autônomas do Iraque, já sobrecarregadas por conflitos anteriores.

No horizonte de Hassan está o desejo de reabrir, em Sanandaj, uma nova biblioteca exatamente no antigo presídio onde foi torturado: “Quero que aquele espaço de dor se transforme em um lugar de ideias livres”.

Para seguir acompanhando os impactos da guerra no Oriente Médio, acesse também nossa cobertura em Brasil e fique por dentro dos próximos capítulos.

Crédito da imagem: Global News

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