Polilaminina: pesquisadora da UFRJ admite falhas em estudo
Polilaminina: a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reconheceu erros significativos no pré-print que descreve duas décadas de testes da proteína para tratamento de lesão na medula espinhal e anunciou revisão completa do trabalho.
Erros no pré-print levantam dúvidas sobre resultados
Publicada em 21 de fevereiro no repositório medRxiv, a versão preliminar do estudo ganhou projeção após o paciente Bruno Drummond relatar recuperação motora na mídia. Ao G1, Sampaio admitiu que o material “não estava bem escrito” e listou os principais equívocos:
- Gráfico de paciente falecido: mostrava melhora 400 dias após o procedimento, embora o texto informasse óbito cinco dias depois; foi um erro de digitação, segundo a autora.
- Imagens de eletromiografia confusas: dados brutos mal programados serão substituídos por exames revisados.
- Problemas de redação: partes do artigo serão reescritas para detalhar metodologia e resultados.
Metodologia é alvo de críticas de especialistas
Cientistas externos apontam falhas estruturais que comprometem a confiabilidade dos achados. Entre elas, a ausência de grupo controle, mistura de tratamentos (cirurgias e cerca de 200 h de fisioterapia) e indícios de imunossupressão que podem ter contribuído para mortes por pneumonia e sepse.
Investimento milionário e ações judiciais
Apesar das incertezas, a farmacêutica Cristália já aportou R$ 100 milhões no projeto. A repercussão levou famílias a recorrer à Justiça: há cerca de 40 ações, e 19 pacientes receberam a aplicação por decisão judicial, fora de um ensaio clínico controlado.
Próximos passos e status regulatório
Sampaio trabalha em uma nova versão para submissão a periódicos de alto impacto, após rejeições, inclusive da revista Nature. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou testes clínicos de Fase 1 a partir de janeiro de 2026, mas nenhum voluntário foi recrutado até o momento.

Imagem: jackpress
Em resumo, o estudo sobre a polilaminina passa por revisão profunda para sanar inconsistências e atender às exigências científicas. Acompanhe mais atualizações sobre saúde e pesquisa em nossa editoria Brasil e fique informado.
Crédito da imagem: jackpress/Shutterstock















