Carne de laboratório usa resíduos de cerveja, diz estudo
Carne de laboratório usa resíduos de cerveja, diz estudo ao detalhar a técnica criada pela Universidade de Copenhague que transforma sobras de levedura da produção cervejeira em suporte para o cultivo de células animais. O método reduz desperdício, barateia custos e reforça a busca por proteína mais sustentável.
Carne de laboratório usa resíduos de cerveja, diz estudo
Pesquisadores dinamarqueses descobriram que a levedura descartada após a fermentação da cerveja pode alimentar bactérias produtoras de celulose. A celulose bacteriana resultante funciona como um “andaime” natural onde células musculares, retiradas de um animal vivo, aderem e se multiplicam dentro de biorreatores estéreis. O processo gera tecidos com textura semelhante à carne convencional, sem necessidade de abate.
Segundo a equipe, a nova plataforma aproveita um resíduo abundante da indústria cervejeira, reduzindo o volume de materiais enviados a aterros e integrando o conceito de economia circular. Além de poupar recursos, a alternativa simplifica etapas caras do cultivo celular e pode baratear a carne cultivada, um dos principais entraves para a popularização desse alimento.
O canal CNN, que analisou o estudo, destaca que a pecuária responde por cerca de 14% das emissões globais de gases de efeito estufa. Ao dispensar grandes áreas de pastagem, diminuir o consumo de água e limitar a liberação de metano, a carne de laboratório surge como candidata a reduzir significativamente o impacto ambiental da proteína animal.
Ainda assim, desafios permanecem. Para chegar às prateleiras em escala comercial, os pesquisadores precisam aperfeiçoar sabor, textura e, sobretudo, preço. Legisladores também estudam normas de rotulagem e segurança alimentar antes de liberar a venda em massa. Mesmo com esses obstáculos, muitos especialistas projetam que carnes cultivadas representarão fatia relevante do mercado global na próxima década, impulsionadas pelo crescimento populacional e pela pressão por dietas mais sustentáveis.

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No curto prazo, a equipe dinamarquesa planeja ampliar testes, validar a consistência do “andaime” de celulose em cortes maiores e comparar a pegada de carbono final com a da pecuária tradicional. A expectativa é que a combinação de tecnologia de cultivo celular com reaproveitamento de resíduos industriais acelere a transição para um modelo alimentar menos agressivo ao planeta.
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