Partícula Amaterasu pode ter nascido na galáxia M82
Partícula Amaterasu pode ter nascido na galáxia M82, indica uma investigação que rastreou a trajetória do raio cósmico mais energético já detectado na Terra. O achado redefine onde procurar as fontes de partículas ultraenergéticas no Universo.
Partícula Amaterasu pode ter nascido na galáxia M82
Registrada em 2021, a partícula Amaterasu — apelidada de “deusa do Sol” — exibe energia milhões de vezes superior à gerada pelo maior acelerador terrestre. Inicialmente, cogitou-se que ela viesse do Local Void, região quase vazia do espaço. Novas simulações, porém, enfraqueceram essa hipótese.
Cientistas do Instituto Max Planck de Física, na Alemanha, aplicaram o método Approximate Bayesian Computation para reconstruir possíveis rotas da partícula. Ao cruzar esses dados com mapas tridimensionais do Universo próximo, o time concentrou a atenção em galáxias ativas, ricas em formação estelar e com campos magnéticos turbulentos.
Nesse contexto, a galáxia M82 — também chamada Galáxia do Charuto — despontou como a candidata mais provável. Berço de frequentes supernovas, o objeto apresenta condições ideais para acelerar prótons e núcleos a energias extremas, funcionando como um acelerador natural.
Segundo os autores, confirmar a origem em M82 ajudaria a explicar como raios cósmicos ultraenergéticos se formam e como atravessam distâncias de milhões de anos-luz até atingir a Terra. A descoberta também forneceria parâmetros mais precisos para modelos que simulam fenômenos extremos, reduzindo incertezas nas previsões.
O estudo reforça, ainda, a necessidade de observatórios capazes de captar mais eventos do tipo. Projetos como o Observatório Pierre Auger, no Chile, e missões espaciais em desenvolvimento devem ampliar o catálogo de partículas semelhantes, permitindo análises estatísticas mais robustas. Conforme destaca a NASA, compreender a origem desses raios cósmicos é crucial para desvendar processos de alta energia que moldam o cosmos.

Imagem: Osaka Metropolitan University
Apesar do avanço, os pesquisadores alertam que a conclusão ainda não é definitiva. Observações adicionais de M82 e de outras galáxias ativas serão indispensáveis para confirmar o ponto exato de emissão da Amaterasu e refinar os mecanismos de aceleração propostos.
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Crédito da imagem: Osaka Metropolitan University/L-INSIGHT, Kyoto University/Ryuunosuke Takeshige















