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Apartamento inteligente deixa de ser luxo e chega à habitação popular no Brasil

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Com mais de 11 milhões de lares conectados, automação residencial avança no Minha Casa Minha Vida e redefine padrão de moradia

O mercado de casas inteligentes cresce em ritmo acelerado no Brasil e no mundo. Com mais de 11 milhões de lares conectados no país, cerca de 16% das residências, a automação residencial deixa de ser um recurso restrito ao alto padrão e começa a se consolidar como um novo componente da habitação popular. É um movimento global e a expectativa é de que o mercado de Smart Apê cresça cerca de 60% nos próximos cinco anos, impulsionado pela digitalização do cotidiano, pela busca por segurança e pela necessidade de moradias mais eficientes.

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No segmento imobiliário, o avanço se traduz em um novo conceito de produto. Apartamentos mais compactos, conectados, flexíveis e integrados a serviços, com foco em localização, conveniência e redução de custos operacionais. A combinação entre tecnologia, áreas compartilhadas e infraestrutura digital já redefine a forma como as cidades se organizam e como os consumidores escolhem onde morar.

Segundo o vice-presidente executivo da Emccamp, Andre Campos, a nova geração prioriza proximidade de transporte, trabalho e serviços, mesmo que isso signifique reduzir a metragem privativa. “A moradia do futuro vai ser mais compacta, mais inteligente, mais tecnológica, mais flexível e mais compartilhável, especialmente nas áreas de lazer e facilities. As pessoas topam morar em lugares bem posicionados, mas não querem pagar caro por isso, então compactar é a solução”, afirma.

O conceito de serviços compartilhados, como academias, lavanderias, mercados inteligentes e espaços pet, permite reduzir custos individuais e ampliar a experiência do morador. “A gente está trocando área privativa por área comum. A pessoa paga menos pelo apartamento e compartilha serviços no condomínio. É uma forma mais inteligente de pensar moradia”, completa o executivo.

Tecnologia como infraestrutura básica do imóvel

A automação residencial tende a se tornar parte da infraestrutura padrão das edificações, assim como internet, ar-condicionado e pontos elétricos foram incorporados ao longo das últimas décadas, como explica Daniel Linhares, especialista em desenvolvimento de negócios da Housi.

“Daqui a pouco, tecnologia vai ser parte da infraestrutura básica que a construtora entrega. O usuário já é digital mas muitas vezes o prédio ainda é analógico. Esse processo de transformação já começou e só tende a crescer”, destaca.

Entre os recursos mais demandados estão fechaduras digitais, câmeras, sensores, assistentes virtuais, interruptores inteligentes e controle remoto de iluminação e climatização. Segundo pesquisas citadas pelos especialistas, mais de 60% dos consumidores associam automação à segurança, principal fator de decisão de compra, ao lado da localização.

Democratização da casa inteligente

Um dos avanços recentes é a entrada da automação no segmento econômico, especialmente no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A tecnologia, antes associada a imóveis de alto padrão, passa a ser oferecida por meio de kits acessíveis, com valores diluídos no financiamento.

“A gente consegue oferecer kits tecnológicos com preços muito acessíveis, de cerca de R$ 500 a R$ 2.000, em apartamentos que custam R$ 200 mil ou R$ 300 mil. Diluir isso nas prestações praticamente não muda o valor final, mas muda completamente a experiência do morador”, afirma Andre Campos.

O objetivo, de acordo com o executivo da Emccamp, não é rentabilizar a tecnologia, mas criar um novo padrão de moradia. “Estamos pagando esse custo embutido para rentabilizar como qualidade de vida. É um novo padrão de uso para esse público”, diz.

Plantas flexíveis para cada fase de vida

Andre afirma que, além da automação, a flexibilidade de planta surge como uma resposta direta às transformações nas estruturas familiares e nos estilos de vida. “A pessoa compra um único imóvel na vida, mas a vida muda. Hoje é solteiro, amanhã casa, depois tem filhos”, exemplifica.

Nesse contexto, a possibilidade de alterar layouts internos ao longo do tempo permite que o imóvel acompanhe diferentes fases do morador, sem a necessidade de mudança. “O Smart Apê permite mover paredes internas e adaptar o apartamento ao longo da jornada”, acrescenta o executivo, ao destacar que o conceito transforma a unidade habitacional em uma plataforma evolutiva de moradia.

Outro pilar do novo modelo é o conceito de serviços sob demanda, no qual o morador paga apenas pelo que utiliza. A lógica, segundo Daniel Linhares, reduz o custo condominial e cria novas fontes de receita para o próprio condomínio. “Todos os serviços são pay per use, ou seja, a pessoa só paga se usar. Além disso, parte da receita das marcas parceiras volta para o condomínio, o que já permitiu reduzir custos pela metade em alguns empreendimentos”, pontua.

Desafios de infraestrutura e escala

A implantação da automação em larga escala exige planejamento desde a fase de concepção dos projetos, com infraestrutura elétrica adequada, suporte técnico estruturado e capacitação das equipes comerciais.

O head de Casa Inteligente da Intelbras, Guilherme Farias, destaca que o principal desafio está na visão de longo prazo. “Muitas construtoras inserem um item isolado, mas não pensam em escalabilidade. O cliente começa com uma fechadura e depois quer câmera, Alexa, interruptor inteligente. Se a base não estiver preparada, isso vira um problema”, afirma.

Para o executivo, parcerias estratégicas entre fabricantes e construtoras são decisivas para garantir suporte contínuo, atualização tecnológica e a evolução do ecossistema digital ao longo da vida útil do empreendimento, evitando obsolescência e ampliando a experiência do morador.

O avanço dos apartamentos inteligentes e o impacto da automação na habitação popular foram tema de debate no podcast Morar em Pauta, da Emccamp, que reuniu os especialistas Andre Campos, Guilherme Farias e Daniel Linhares para discutir as transformações do setor e o futuro da moradia urbana no Brasil.

O 12º episódio já está disponível no Youtube, Spotify e principais plataformas de áudio.

 

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