Alpinista condenado por homicídio culposo na Áustria
Alpinista condenado por homicídio culposo na Áustria, o chef Thomas Plamberger, 37 anos, recebeu pena suspensa de cinco meses e multa de 9,4 mil euros após abandonar a namorada Kerstin Gurtner, 33, que morreu durante a escalada do Grossglockner, ponto mais alto do país.
Alpinista condenado por homicídio culposo na Áustria
O tribunal de Innsbruck, no oeste austríaco, considerou Plamberger culpado de homicídio culposo por negligência grave. A acusação sustentou que, sendo escalador muito mais experiente, ele era responsável pela segurança do casal e falhou em tomar decisões básicas de proteção, como planejar a rota adequadamente, levar roupas e equipamentos suficientes para os quase 3.800 metros de altitude e acionar socorro logo ao perceber as dificuldades na madrugada de 19 de janeiro de 2023.
Segundo a sentença do juiz Norbert Hofer, também montanhista e socorrista alpino, Gurtner estava “mal-equipada e exausta” quando Plamberger decidiu deixá-la presa a uma rocha, próximo ao cume, para buscar ajuda. Ao retornar, a jovem já havia sucumbido a hipotermia. O magistrado frisou que o casal deveria ter recuado antes, pois a vítima não possuía experiência suficiente para enfrentar as severas condições de inverno.
Em depoimento, Plamberger afirmou amar a companheira e negou ter sido o líder exclusivo da expedição: “Planejávamos tudo juntos”. Ele declarou que as condições extremas teriam surpreendido os dois, embora, em declarações anteriores à polícia, tenha se descrito como responsável pelo trajeto. A pena máxima para o crime era de três anos, mas o juiz levou em conta o histórico limpo do réu e a perda pessoal sofrida.
A decisão repercutiu amplamente nas redes sociais e reacendeu o debate sobre responsabilidade civil e penal em atividades de montanhismo. Especialistas lembram que, em países alpinos, o escalador mais experiente pode ser considerado responsável por parceiros menos preparados. O tema já foi discutido em outras ocasiões pela BBC, que destaca a importância de protocolos de segurança rígidos.
O caso também expõe a necessidade de planejamento detalhado, uso de equipamentos adequados e comunicação imediata com equipes de resgate, pontos frequentemente enfatizados por entidades de alpinismo.

Imagem: Rachel Goodman Global
No fim, Plamberger ouviu do magistrado: “Não o vejo como assassino, mas seu julgamento foi falho”. O réu ainda pode recorrer.
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Crédito da imagem: KERSTIN JOENSSON/AFP via Getty Images















