Modelo social da Groenlândia inspira Inuit no Canadá
Modelo social da Groenlândia inspira Inuit no Canadá. Líderes Inuit afirmam que serviços de saúde, habitação e educação oferecidos em Nuuk superam os disponíveis nas comunidades do Ártico canadense e defendem que Ottawa adote práticas semelhantes durante o plano de expansão militar na região.
Modelo social da Groenlândia inspira Inuit no Canadá
Lukasi Whiteley-Tukkiapik, responsável pela organização de bem-estar Inuit Saqijuq, de Kujjuaq (Quebec), relatou que a infraestrutura social de sua comunidade é inferior até mesmo à de Iqaluit, capital de Nunavut. Segundo ele, Nuuk — com população apenas 2,5 vezes maior que Iqaluit — “está gerações à frente” em serviços liderados por Inuit e em prédios bem conservados.
Território autônomo da Dinamarca, a Groenlândia oferece sistema universal de saúde, seguro-desemprego, odontologia gratuita para crianças, creches subsidiadas e educação sem cobrança de mensalidades. O hospital da capital possui capacidade quatro vezes superior ao de Iqaluit, e 87 % da energia gerada no país veio de hidrelétricas em 2022, de acordo com o think tank britânico Ember. No lado canadense, Nunavut depende quase totalmente de combustíveis fósseis.
Dados do censo de 2021 mostram que 53,1 % da população de Nunavut vive em moradias superlotadas, enquanto um terço reside em casas deterioradas. Em contraste, Nuuk exibe residências coloridas, centros culturais e bibliotecas, facilitados pelo solo rochoso — mais estável que o permafrost de Iqaluit.
Steven Arnfjord, professor da Universidade da Groenlândia e diretor do Centro de Bem-Estar Ártico, atribui o sucesso ao controle Inuit sobre os recursos enviados por Copenhague. “Formamos nossos próprios assistentes sociais, que conhecem a cultura e o idioma”, explicou. Os residentes recebem a maior parte dos cuidados médicos em casa; quando precisam viajar a Copenhague, ficam em alojamentos culturais administrados por organizações Inuit.
Apesar dos avanços, o território ainda enfrenta desafios como suicídio e tuberculose, problemas também presentes no Canadá. Para Arnfjord, o modelo precisa adaptar-se mais rapidamente às mudanças demográficas e considerar o papel da família nas questões de dependência química ou falta de moradia.

Imagem: Internet
Natan Obed, presidente do Inuit Tapiriit Kanatami, observou que a Groenlândia dispõe de mais médicos per capita e melhores serviços de saúde. Já Andrea Charron, da Universidade de Manitoba, advertiu que qualquer reforço militar de Ottawa exigirá infraestrutura civil adequada e respeito à soberania Inuit para trazer benefícios duradouros.
Arnfjord recordou que, ao contrário das promessas financeiras externas — como a manifestação do ex-presidente dos EUA Donald Trump de “comprar” a ilha —, a confiança no sistema de bem-estar não pode ser substituída por somas de dinheiro. “Comunidades saudáveis são barreiras contra interferências estrangeiras”, concluiu.
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Crédito da imagem: Globalnews.ca















